26 de abril de 2015

Zazen - 26/04/2015

Quatro Pensamentos para a Vida Diária

Devoção Real (Roseikon)

Devotar-se completamente e sinceramente não é tão fácil como parece. No Eihei-koroku, Dogen Zenji diz que concentrar todo o ser na mente e corpo em todas as atividades é supremamente importante. Em outras palavras, dar-se de mente e corpo a qualquer coisa que faça - acordar, lavar-se, tomar o café da manhã, ir ao trabalho, encontrar com pessoas para falar de trabalho, tomar chá e assim por diante.

Nenhum Mérito (Mukudoku)

Bodhidarma, ainda venerado no Japão atual sob o nome de Daruma-daishi, introduziu o Budismo Zen na China nos princípios do sexto século, durante o reinado do iImperador Wu da dinastia Liang. Por causa do seu interesse, o Imperador orgulhosamente trabalhou para promover o Budismo e convidou Bodhidarma a permanecer com ele. Talvez contente com sua própria fé, o Imperador uma vez disse para Bodhidarma, "Construí todos estes templos Budistas, fiz com que todas as sutras fossem copiadas e treinei todos estes monges. que tipo de mérito consegui por todo este trabalho?"

Bodhidarma responteu bruscamente: "mérito algum!" Sem dúvida o Imperador, governante de toda uma nação sentiu-se desprezado.

Na verdade, Bodhidarma o estava admoestando para o fato de fazer coisas com o intuito de recompensa. O Zen nos adverte estritamente contra ter recompensas pelas ações. O espírito zen é agir sempre de uma perfeita maneira natural, descontraída e despojada.

Um Acerto em Cem Erros (Hyakufuto no Itto)

Os ensinos de Shakyamnui contém a doutrina dos quatro e oito sofrimentos (Shiku-hakku). Os Quatro são nascimento, Envelhecimento, doença e Morte. Os restantes quatro que juntos resultam em Oito são a separação do amado, associação com o indesejado, falha em atingir o desejado e o sofrimento psicossomático. O termo japonês shiku-hakku é frequentemente usado para expressar extrema dificuldade. Superar estes sofrimentos inevitáveis é um dos supremos objetivos do Budismo.

Sempre desejamos adquirir o que consideramos importante, desejável ou prazeroso, mas às vezes frustamo-nos na tentativa. Corredores não conseguem atingir a velocidade não importa o quanto pratiquem. Jogadores de beisebol manejam o taco cem vezes sem conseguirem o jeito que eles desejam. Às vezes, no entanto, no meio da prática, eles quebram a limitação e conseguem o perfeito movimento. Neste instante, rão liberados de todo o sofrimento causado pela falha de atingir o desejado.

A felicidade que eles experimentam nestas ocasiões é o resultado, não acidental, de dezenas e centenas de tentativas. Todos os esforços resultam em sucesso. Experimentam um Acerto em Cem Erros.

Olhando das alturas (Hyakushaku Kanto Shin Ippo)

Geralmente quando conseguimos atingir uma certa meta, queremos uma pausa nas alturas desfrutar a nossa satisfação. Mas devemos nos lembrar que, enquanto paramos, o rio do tempo flue sem parar. O Zen nos encoraja a prestarmos atenção ao constante fluir do tempo na forma da frase Hyakushaku Kanto Shin ippo, que significa literalmente dar um passo do topo de uma plataforma de bambú de cem pés. O Shobo-genzo Zuimonki nos diz:

"Estudante do Caminho, vamos ir de corpo e mente e entremos completamente no budha-darma. como um antigo ditado diz, "no topo de uma plataforma de cem pés, como avança um passo para a frente?" Em certa situação, pensamos que iremos morrer se sairmos da plataforma e por isso nos agarramos firmemente nele.

Dizer em 'avançar um passo a frente' significa o mesmo que decidir que não poderia ser tão mal e abandonar a vida corporal. Deveríamos parar de nos preocuparmos com tudo ,desde a arte de viver até a nossa própria vida.

A não ser que abandonemos estas coisas, será impossível atingirmos o Caminho, mesmo que pareça que estamos praticando diligentemente como se estivéssemos tentanto extinguir um fogo envolvendo nossas cabeças, Deixe o corpo e a mente seguirem de uma maneira decidida.

Traduzido por Shohaku Okumura
in Caminho Zen, nº 1-2003 pags. 10/11
Shotoshu Shumusho - Japão


22 de março de 2015

Zazen - 22/03/2015

Tudo o que vemos está constantemente mudando, perdendo seu equilíbrio. Por estarem fora de equilíbrio é que as coisas se mostram belas, mas o fundo em que se inserem está sempre em perfeito equilíbrio. Esta é a forma como as coisas existem na natureza de Buda: perdendo o equilíbrio sobre um fundo em perfeito equilíbrio.

Shunryu Suzuki Roshi

15 de março de 2015

Zazen - 15/03/15 - Comemoração dos quatro anos




Todos os seres sencientes são essencialmente Budas.

Como a água e o gelo – não há gelo sem água  – Sem os seres sencientes,

Não há Budas.

Em perceber quão próxima a verdade está, nós a buscamos muito além.



- Que lástima!



Somos como alguém no meio da água

Chorando desesperadamente de sede.

Somos como um filho de um rico homem

Que vagueia desnorteado na miséria.

A razão porque nós transmigramos

Através dos Seis Reinos é porque

Nós estamos perdidos nas trevas da Ignorância.



Indo cada vez mais fundo nas trevas da ignorância,

Como poderemos jamais nos liberar do nascimento-e-morte?

Mas quanto a prática Mahayana do zazen,

Não há palavras para elogiá-la plenamente.

Os Seis Paramitas, assim como a

Caridade, manutenção dos preceitos,

E várias outras boas ações

Como invocar o nome de Buda,

Arrependimento, e esforço espiritual,

Todos afinal retornam à prática do zazen.



Mesmo aqueles que sentaram-se em zazen apenas uma vez

Lograrão superar o karma.

Não mais eles irão encontrar maus caminhos,

E a Terra Pura não estará muito longe.

Se nós escutarmos mesmo que apenas uma vez

Com o coração aberto esta verdade,

A louvamos e alegremente a abraçamos,

Quão mais será possível então,

Se ao refleti-la profundamente em nós mesmos,

Nós claramente atingirmos a

Auto-realização,

Dando prova da verdade

De que Auto-realização é não-realização.



Nós iremos além da palavra fútil.

O Portal da unidade de causa e efeito

É assim aberto,

É não-dois,

Não-três,

Corretamente direcionados percorremos o Caminho.

Percebendo a forma da não-forma

Como forma,

Indo ou retornando

Não estaremos nós em nenhum outro lugar.

Percebendo o pensamento do

não-pensamento

Como pensamento

Cantando ou dançando,

Seremos a voz [e movimento] do Dharma.



Quão vasto e amplo

É o espaço sem fim do Samadhi!

Quão brilhante e claro

É a perfeita luz da lua das Quatro Nobres Verdades!

Neste momento o quê mais precisamos buscar?

Quando a eterna tranquilidade da Verdade

Revela-se a nós,

Este mesmo lugar é a terra dos Lótus

E este mesmo corpo

É o corpo de um Buda.



A Canção do Zazen - Hakuin Ekaku
Fonte: http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=907

8 de março de 2015

Zazen - 08/03/2015

Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio.

Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela vida do homem, buscando desesperadamente chamar sua atenção. Mas, bêbado, ele se encontrava quase desmaiado.

Miraculosamente ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem de uma curva do rio.

Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:

"Ele se acomodou ao rio, não desesperou-se com ele. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Se entregando à correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."




Seguindo a corrente
Fonte: https://www.facebook.com/monge.komyo

________________________________________
Comentário de Monge Kōmyō sobre o conto:
 

Não é fácil obter uma mente pacífica. O ensinamento é simples e cristalino, mas as paixões arraigadas em nossa mente condicionada nos levam de roldão no fluxo intenso das consequências de nossas ações.

Homens e mulheres sábios apontam o caminho, nós os admiramos e buscamos coragem para trilhar a senda, mas o rio implacável da existência nos dá medo. E então desesperamos.

Diante da avassaladora força dos acontecimentos, pensamos que a saída está em lutar e resistir, recusar-se a aceitar outra opção senão o conflito. A mente ignorante vive uma guerra épica contra a Impermanência. E perde todas as batalhas, de um modo ou de outro.

Os praticantes do zen vivem um sério dilema; pois a essência da prática está em render-se, deixar ir, permitir que a consciência flua sem resistência, plena, incondicionada.

A ignorância, como um demônio sedutor, sussurra em nossa mente: “Desespere! Odeie! Cobice! Reprima! Não perca o controle". Contudo, a verdade ancestral – aquela que passamos a vida escondendo de nós mesmos – é que não há como controlar a dinâmica da existência.

Não é fácil obter uma mente serena. Mas é totalmente possível atingi-la, se vivermos com sensibilidade e fluidez. Estamos todos, sem exceção, mergulhados no rio implacável -- mas também generoso em opções -- do tempo.

A vida sempre nos oferece oportunidades. Se soubermos escolher com clareza, se soubermos entender o sentido da aceitação, seremos capazes de viver sem conflitos.

E ao final de tudo (quem sabe) descobriremos que a guerra não existe, exceto nas ilusões de nossa própria insegurança.

Monge Kōmyō


1 de março de 2015

Zazen - 01/03/2015



Um discípulo foi ao seu mestre e disse fervorosamente:


"Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?"

A resposta do mestre foi casual:

"Uns dez anos..."

Impacientemente, o estudante completou:

"Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?"

O mestre pensou um pouco e disse suavemente:

"Vinte anos."


Trabalhando Duro


Comentário de Monge Daitetsu sobre o conto: 
Enquanto houver um EGO trabalhando duramente para ADQUIRIR a iluminação, ela não ocorrerá. É preciso aprender a esquecer-se de si mesmo ...
Imagem: Monge Daitetsu

22 de fevereiro de 2015

Zazen - 22/02/2015

Imagem: Monge Daitetsu
Se há coisas que te fazem sofrer, você tem que saber como deixá-las ir. Felicidade pode ser obtida soltando, deixando ir, incluindo deixando ir suas ideias sobre felicidade. Você imagina que certas condições são necessárias para sua felicidade, mas olhando profundamente se revelará para você que essas noções são exatamente as coisas que ficam no caminho da felicidade e te fazem sofrer.

A prática de deixar ir
Thich Nhat Hanh

8 de fevereiro de 2015

Zazen - 08/02/2015

Leva um certo tempo até que a mente se acalme durante sua prática. Surgem muitas sensações, muitos pensamentos ou imagens, mas são apenas ondas da própria mente. Nada vem de fora dela. Em geral, pensamos que nossa mente recebe impressões e experiências do exterior, mas isso não é uma compreensão correta da nossa mente. A verdade é que a mente inclui tudo; quando pensamos que algo surge de fora, isso quer dizer somente que algo surge na nossa própria mente. Nada exterior a si mesmo pode perturbá-lo. É você mesmo que cria as ondas da mente. Se deixar a mente como ela é, ela se tornará calma. Esta é a chamada mente grande.

Shunryu Suzuki Roshi

Imagem: Monge Daitetsu

1 de fevereiro de 2015

Zazen – 01/02/2015


Imagem: Monge Daitetsu


[...] A vida não é vir, não é ir, nem presente, nem “vindo-a-ser”. No entanto, a vida é a manifestação da atividade total da existência, a morte é a manifestação da atividade total da existência. Saiba que dentre as infinitas coisas existentes em nós mesmos, há a vida e morte. Pensem calmamente: essa vida atual e a miríade de coisas estão juntas ou não? Não existe nada em absoluto, nem mesmo um único tempo ou um único fenômeno, que não seja um com a vida. Seja mesmo uma única coisa, uma única mente, nada está separado da vida.

A vida é como o andar de barco: apesar de no barco nós manejarmos a vela, o leme e o mastro, é o barco que nos carrega, e nós não somos nada sem o barco. Andando no barco, nós fazemos com que o barco seja um barco. Nós devemos meditar sobre esse ponto preciso. [...]


A Atividade Total da Existência
Mestre Dogen Zenji

Fonte: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=112

25 de janeiro de 2015

Zazen - 25/01/2015

Imagem: Monge Daitetsu.
Depois de viver certo número de anos, morremos. É errado pensar que isto seja o fim de nossa vida. Mas, por outro lado, achar que não morremos também está errado. Morremos e não morremos. Este é o entendimento correto. Alguns podem dizer que nossa mente, ou alma, existe para sempre e que é apenas nosso corpo físico que morre. Isso não é bem assim porque ambos, corpo e mente, têm fim. Mas, também é verdade que ambos existem eternamente. Embora se diga corpo e mente, eles são de fato dois lados da mesma moeda.

Shunryu Suzuki Roshi

18 de janeiro de 2015

Primeiro Zazen de 2015 - 18/01/2015






Pergunta – O senhor falou sobre o Dharma e confesso que ainda não encontrei verdadeiramente esse caminho. De onde tirar forças para não perder a esperança?






Monge Genshô – Não se preocupe em ter forças seja para alcançar algo ou para continuar no caminho. O melhor é não ter objetivos. Agora temos duas monjas indo para o Japão para um período de treinamentos e eu sei que é difícil se manter estimulado a continuar. No monastério não se tem privacidade, a agenda nunca cessa, os horários são rígidos, a comida é estranha para nós, o sono é pouco, falar é restrito e isto continua por meses.

O segredo é não pensar no dia de amanhã e viver só por hoje, pensar, “Só hoje, até o fim do dia, irei tentar ficar”. Se acontecer um erro, não há problema, errar é normal, não devo exigir demais de mim e muito menos ter grandes esperanças. Apenas aceite o momento. Para andar na vida, não pense em ser forte, apenas dê um passo de cada vez. É como quando estamos em retiro e começamos uma sessão de Zazen. Se ficarmos pensando em todos os Zazen que teremos pela frente, que em geral são doze em um dia de retiro, nossa mente pode não suportar. Devemos pensar, “Vou ficar sentado até tocar o sino e terminar esse Zazen”. Quando você faz assim, rapidamente chega o final do retiro e a sensação muda, você quer que continue, não deseja mais ir embora. Não se preocupe em ter forças, apenas dê um passo de cada vez.

Apenas um passo de cada vez
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2015/01/apenas-um-passo-de-cada-vez.html
Imagens: Monge Daitetsu

14 de dezembro de 2014

Zazen – 14/12/2014






Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser incluídos, é porque estamos distantes de um coração bondoso.


Respeito e Compaixão pelos homossexuais. Respeito e Compaixão pelas mulheres. Respeito e Compaixão pelos idosos. Respeito e Compaixão pelas crianças. Respeito e Compaixão pelos seres humanos. Respeito e Compaixão pela vida na Terra.

Respeitar é mais do que tolerar.

Compaixão é identificação e cuidado terno.

Quando minha mão esquerda se machuca, minha mão direita imediatamente a vai socorrer. Sem esperar nada em troca. Porque somos um só corpo e uma só vida.

Quando iremos todos despertar?

[...]

Ver a realidade assim como é. Sem manipular a mente de ninguém — nem mesmo a sua.

Sem ser manipulada por ninguém — a nossa mente sagrada.

Para isso é preciso despertar. Despertar é ver em profundidade. É compreender as manobras dos manobristas e se desvencilhar da visão tacanha, corrupta. Corrupta de coração rompido, de se sentir separada do todo. Em quantas corrupções você esteve envolvido hoje?

Não falar dos erros e faltas alheios é um dos Preceitos de Buda. Uma sugestão para o Nirvana, a paz sábia.

[...]

Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser respeitados e incluídos é porque estamos muito, muito distantes do coração bondoso, terno, acolhedor, humilde da compaixão ilimitada.

Nós, filhos e filhas da Terra e do Sol, habitantes da Via Láctea, podemos. Podemos e devemos apreciar a vida.

Estamos sempre chegando, chegando, partindo, indo, voltando e indo novamente.

Incessante movimento — que haja respeito e compaixão no movimento quieto do nada-tudo.

Somos o todo manifesto.

Monja Coen
Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 16/10/2014.
Fonte: http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/1626-respeito-e-compaixao

30 de novembro de 2014

Zazen – 30/11/2014 e 07/12/2014

Zazen - 30/11/14

Zazen - 07/12/14
Ao se colocar nessa postura, sua mente fica naturalmente em estado correto; portanto, não há necessidade de buscar um estado especial da mente. Quando você tenta obter algo, sua mente começa a divagar por outros lugares. Quando você não se ocupa em obter algo, seu corpo e sua mente permanecem juntos, presentes onde você está. Um mestre Zen diria: "Mate o Buda". Isto é, mate o Buda se ele existe em algum outro lugar. Mate o Buda porque é você que deve reaver sua própria natureza búdica.

Shunryu Suzuki Roshi

23 de novembro de 2014

Zazen - 23/11/2014


O ego também é uma construção de nossa mente. Porque temos sucessões de pensamentos, sensações, formações mentais e percepções, formamos uma consciência e dizemos a nós mesmos, “Eu existo”. Esse “eu existo” é absolutamente construído e por ser construído por um funcionamento da mente, é uma ilusão que cessa quando a mente pára de funcionar. Não precisa ser necessariamente com a morte, pode ser através de uma doença. Ele existe e é necessário para nosso funcionamento na dimensão histórica. Eu tenho meu “eu” de Monge, estou vestido com meu manto de Monge, estou fantasiado de Monge, o que me ajuda a desempenhar um papel nesse mundo - isso é uma construção.

Monge Genshô

21 de novembro de 2014

Palestra com Monge Genshô em Londrina - 03/12/2014


Zazen - 16/11/2014




... 

A respiração é o grande elemento para levar a mente ao momento presente, porque nós não respiramos no futuro. Nós não respiramos no passado. Nós só respiramos no presente. Vocês agora estão respirando e à medida que vocês expiram e inspiram, o fenômeno só se manifesta agora. O interessante é que: o que é o agora? É um constante vir a ser. Aonde está o agora? Como a gente pega o agora? Não se pega o agora. Aí está a grande dinâmica da experiência contemplativa. A mente que se mantém no agora é uma mente que se mantém flexível e una com a dinâmica das coisas que acontecem. Porque tudo que está se manifestando nesse momento se manifesta num fluxo de agora. Não são agoras. É sempre o agora. 


Monge Kômyô

15 de novembro de 2014

Zazen – 09/11/2014




Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. 

Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. 

Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém. 

O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. 

Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.

Fonte: Shunryu Suzuki Roshi

Zazen - 02/11/2014

Imagem: Monge Daitetsu.

Nós dizemos concentração, mas concentrar a mente em algo não é o verdadeiro propósito do Zen. Seu verdadeiro propósito é ver as coisas como elas são e deixar que tudo siga seu curso. Isso é ter as coisas sob controle, no mais amplo sentido. Praticar o Zen é abrir nossa mente pequena. Assim, a concentração é apenas um recurso para auxiliá-lo a se aperceber da "mente grande" - da mente que é o todo.

Se alguma coisa lhe vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar por coisa alguma. Pode parecer que essa coisa vem de fora mas, na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais calmas.

Fonte: Shunryu Suzuki Roshi

26 de outubro de 2014

Zazen - 26/10/2014

Imagem: Monge Daitetsu

Todos os pensamentos egocentrados limitam a vastidão da mente. Quando não alimentamos pensamentos; nenhum de conquista, nem pensamentos egocentrados, somos verdadeiros principiantes e podemos então aprender alguma coisa de fato. A mente do principiante é mente de compaixão. Quando nossa mente é compassiva, torna-se ilimitada. O mestre Dogen, fundador da nossa escola, sempre enfatizou a importância de preservar nossa mente original ilimitada. Com ela somos verdadeiros conosco, estamos em comunhão com todos os seres e podemos, de fato, praticar.


Texto de Shunryu Suzuki Roshi

29 de setembro de 2014

Zazen - 28/09/2014


Imagem: Monge Daitetsu

Yamaoka Tesshū, quando era um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:

"A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"

Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.

"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"

Koan: "Nada Existe"

Fonte: http://zenlondrina.blogspot.com.br/2011/09/nada-existe.html#axzz3EjR17jDa

14 de setembro de 2014

Zazen – 14/09/2014





...


O Senhor poderia falar um pouco sobre o ego, como o Budismo vê o ego?


Monge Genshô – O ego também é uma construção de nossa mente. Porque temos sucessões de pensamentos, sensações, formações mentais e percepções, formamos uma consciência e dizemos a nós mesmos, “Eu existo”. Esse “eu existo” é absolutamente construído e por ser construído por um funcionamento da mente, é uma ilusão que cessa quando a mente pára de funcionar. Não precisa ser necessariamente com a morte, pode ser através de uma doença. Ele existe e é necessário para nosso funcionamento na dimensão histórica. Eu tenho meu “eu” de Monge, estou vestido com meu manto de Monge, estou fantasiado de Monge, o que me ajuda a desempenhar um papel nesse mundo - isso é uma construção.

...

O Buda Homem
Monge Genshô
Imagem: Monge Daitetsu

7 de setembro de 2014

Zazen – 07/09/2014


...

Se você conseguir perceber que a identidade é falsa e construída não tem mais ninguém para ser ofendido e quando a ofensa acontecer ela simplesmente não toca em você porque não tem ninguém ali, quem é que vai reagir? Então a maneira certa é essa: demolir a sua identidade vai tirar toda a energia do automatismo e energias de hábito. Eles são construídos mesmo que estejam tão fortemente enraizados no que você chamou de inconsciente. Se você praticar corretamente seus sonhos mudarão. Isso eu posso testemunhar para vocês. Os sonhos mudam. Em vez de você ter sonhos normais, você tem sonhos Dhármicos. Em vez de você reagir com raiva você no sonho reage com afeto, com compaixão, então você sabe que está realmente funcionando o seu treinamento. Se você tem sonhos de que morre e tem medo, no dia que você sonhar que está acontecendo a situação de morte e você sente apenas paz então você fez seu treinamento chegar lá na base dos seus automatismos, aquilo que você chamou de inconsciente.



Estratégias de treinamento para extinguir o Eu. 

Monge Genshô
Fonte: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=35

Imagem: FreeDigitalPhotos

31 de agosto de 2014

Zazen – 31/08/2014


...

Uma pessoa perguntou à Buda o que os Monges faziam? E ele respondeu:“acordamos, trabalhamos, oramos, comemos, dormimos”. “Mas isso todo mundo faz”, disse o homem e Buda respondeu: “Não é verdade, as pessoas não fazem isso integralmente”. Então muitas pessoas quando deitam para dormir ficam pensando nos problemas que têm que resolver no outro dia ou, hoje em dia, comem na frente da TV ou lendo um jornal para saber das notícias. Um homem verdadeiramente homem, senta para comer e saboreia a comida sem pensar em mais nada, sente o gosto de cada garfada colocada na boca. Isso é o contrário do que normalmente as pessoas dizem, “eu quero me divertir” ou “eu quero me distrair”. Isso é como se desligar da vida e não pensar, ou como ter que ter um som de música ou TV para não ficar sozinho consigo mesmo. Esse não ficar consigo mesmo é um sintoma de uma doença. A sanidade é você conseguir sentar e pensar apenas naquele momento, no dia maravilhoso, no cheiro das flores, nos pássaros que passam por você ou um latido de um cachorro. Estar ciente da maravilha que é você poder escutar, ver e sentir as coisas ao seu redor.


O sofrimento vem do apego, não do amor.
Monge Genshô
Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2014/05/o-sofrimento-vem-do-apego-nao-do-amor.html
Imagem: Monge Daitetsu

24 de agosto de 2014

Zazen – 24/08/2014



... 

Pergunta – Levando a lei do carma em consideração posso supor que somos responsáveis por todos os problemas e sofrimentos da nossa vida? 

Monge Genshô – Sim, mas não exclusivamente nessa vida. Você tem marcas que vêm do passado que fazem com que sua vida se manifeste de determinada forma, porém você tem o poder de alterar o seu carma, para o bem e para o mal. Todos podemos construir vidas melhores cuidando do seu carma. Não adianta reclamar do que acontece conosco, temos que aceitar e ir em frente e procurar transformar uma coisa ruim em boa. Tenho um bom exemplo, minha filha está no hospital com o filho com leucemia. Em vez de ela lamentar sua situação e de seu filho, está pensando em como melhorar a situação do Instituto Nacional do Câncer e em fazer campanha para aumentar o número de doadores de medula. Você pode encontrar nos dramas da vida saídas para transformar aquele sofrimento num benefício para muitas pessoas. Os resultados que ela obterá ninguém poderá avaliar agora, mas podem ser maravilhosos. Você não sabe a consequência de um ato. 

... 

O que interessa para nós nessa história é que quando dizemos algo e jogamos uma semente não podemos saber o tamanho do resultado. Somos imensamente poderosos em relação ao que podemos realizar plantando idéias e dizendo coisas para as pessoas. 

Somos imensamente poderosos
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2013/12/somos-imensamente-poderosos.html
Imagem: Monge Daitetsu

17 de agosto de 2014

Zazen – 17/08/2014



...


Pergunta – Queria que o Senhor falasse um pouco sobre a compaixão. 

Monge Genshô - A compaixão é muito diferente da pena, da piedade, a compaixão surge daquele sentimento, “sentei-me com todos os seres, todos os seres estão juntos comigo, todos os seres sofrem, então todos são como eu, eu e eles somos um”. Então se eles sofrem, eu sofro. Isso é compadecer-se. Compadecer-se é padecer junto, sentir a dor do outrojunto.“Nós” é só um grande eu. É um eu ampliado, os países às vezes pensam assim” “nós”. Mas é em relação ao seu país, ou à sua raça, mas “nós” no budismo é: todos os seres e a grande terra. Nem um fora.

___________

O Dharma é um grande presente, ele está em muitos lugares, não só no budismo. Nós devemos procurá-lo ativamente, porque ele não surge da ignorância, ele só surge do esforço e da sabedoria, então, por favor, esforcem-se....

Consciente e inconsciente
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2014/07/consciente-e-inconsciente.html?m=1
Imagem: Rafa Ferreira

10 de agosto de 2014

Zazen – 10/08/2014


1) O senhor sempre fala sobre o Dharma, eu gostaria de tentar entender o que é o Dharma.

Monge Genshô – Nós temos três jóias no Budismo. O Buda, o Dharma e a Sangha. Temos uma cerimônia em que tomamos refúgio nessas três jóias. Tomar refúgio é como retornar e abrigar-se nas jóias. Buda não é uma pessoa, um Deus ou um salvador, Buda é essencialmente uma idéia, a idéia de que todos podemos acordar como Sidharta Gautama Shakyamuni acordou. Quando ele fez isto foi chamado de Buda, “aquele que despertou”. Todos os homens estão sonhando sonhos de ilusões, se acordam de suas ilusões, livram-se de seus sofrimentos. Sentimentos comuns como, por exemplo, ciúmes, por que ele existe? Porque somos apegados, inseguros, porque queremos possuir pessoas ou coisas, então surge esse sentimento que é, em essência, egoísta, que nasce da noção de um “eu” e este “eu” é a ilusão mais importante. É deste “eu” que Buda se livrou, acordou, livrando-se dos apegos. Esta é então a primeira jóia. Refugiar-se no Buda significa abrigar-se nessa idéia e confiar que mesmo sendo um ser imperfeito e cheio de problemas, apegos e paixões, pode-se despertar com a prática correta.

Perguntas e respostas na Sangha
Monge Genshô

Fonte: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=173

Imagem: Monge Daitetsu

3 de agosto de 2014

Zazen – 03/08/2014


...

Monge Genshô – A Sangha é uma grande oportunidade, a comunidade onde trabalhamos. Nós devemos nos perguntar a cada momento: “Quem é que? Quem é que dentro de mim ficou com raiva? Quem é que dentro de mim se impacientou? Quem é que não aceita? Quem é que não tolera os outros”? A cada momento você pode perguntar – “Quem é que”? E quando você se der conta, meu ego, meu “eu”, ele enfraquecerá. Quem é que dentro de mim, sente ou pensa? Que carrega tal ou qual sentimento? Quem é esse? E você diga a você mesmo - É meu engano. Eu me engano. Eu estou dirigindo na rua e alguém buzina atrás de mim, impaciente. Você deveria pensar, é como a chuva, ou como o vento, nada é comigo. São simplesmente as emoções daquele ser, nada é comigo porque não tem ninguém aqui para se incomodar. Então, se você tiver essa postura, não haverá perturbação nenhuma. Se você não consegue isso, pelo menos não faça nada, não diga nenhuma palavra, não reaja, não comente com os outros e depois não comente com você mesmo, não pense nada, simplesmente aceite que lá também não tem um “eu”.

Você está num barco em um lago e tem um grande nevoeiro. Outro barco vem e bate no seu, você se irrita porque o outro não está prestando suficiente atenção. Tem nevoeiro, tem que prestar mais atenção. Então você olha dentro do outro barco e não tem ninguém. É um barco vazio que o vento empurrou. Imediatamente sua raiva passa. Porque lá não tem um “eu”. Pense – “Não há eu em ninguém, também não há eu em mim, isso é só ilusão”. Esse é o primeiro passo. É uma boa estratégia. Quando conseguirem não se importar com ninguém, então poderemos passar para o segundo passo.

...

Excerto do texto: "Não acreditem em mim - testem" de autoria de Monge Genshô.
Imagem: Monge Daitetsu