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24 de janeiro de 2016

Zazen - 24/01/2016

Hoje eu vi uma nuvem.

Caminhando entre prédios e pessoas, fluindo contra a corrente de sonhos e frustrações, repentinamente olhei para o alto.

Olhei para o céu, para um azul tão profundo que me fez congelar no tempo infinito de um piscar de olhos, no espaço imenso entre dois passos.

Olhei para o céu e vi uma nuvem. Não era especial, multicolorida, misteriosa ou cenográfica.

Não era nuvem de amanhecer ou pôr do sol, sequer nuvem de meio-dia.

E entretanto, era tão bela!

Ninguém mais via a nuvem.

Ela passava lentamente, um colosso suave no mais profundo azul -- e ninguém mais olhava para ela.

Aquelas pessoas viam (tenho certeza disso) o asfalto.

Percebiam o concreto, os seus horários, seus compromissos, seus sucessos, sua pressa e a tediosa rotina de uma mente embotada de desejos.

Mas nenhuma -- nem mesmo uma única delas -- via a nuvem.

Eu fui afortunado. Em um momento simples e causal, despertei por alguns instantes do sono medíocre de minha ignorância e olhei para o céu.

Olhei para aquele cenário imenso por trás da banalidade insensível, e vi a força do momento.

Ninguém mais via a nuvem, e apesar disso ela passava sem rancor ou alarde, generosamente nos oferecendo a dádiva de sua momentânea realidade.

A vida é arte pura, feita por momentos grávidos de possibilidades.

Apesar dos medos, apesar dos anseios, da cobiça e da frustração.

Apesar dos ódios, da mesmice, do desprezo e da ilusão.

Apesar de tudo, existem as nuvens...

Monge Kōmyō
Janeiro de 2014

26 de julho de 2015

Zazen - 26/07/2015

Se este momento é feliz ou não, depende de você. 

É você quem cria o momento feliz. Não é o momento que lhe faz feliz. 

Com plena consciência, concentração e discernimento, qualquer momento pode se tornar um momento feliz. 

Felicidade é uma arte. 

Thich Nhat Hanh

Imagem: Monge Daitetsu

18 de janeiro de 2015

Primeiro Zazen de 2015 - 18/01/2015






Pergunta – O senhor falou sobre o Dharma e confesso que ainda não encontrei verdadeiramente esse caminho. De onde tirar forças para não perder a esperança?






Monge Genshô – Não se preocupe em ter forças seja para alcançar algo ou para continuar no caminho. O melhor é não ter objetivos. Agora temos duas monjas indo para o Japão para um período de treinamentos e eu sei que é difícil se manter estimulado a continuar. No monastério não se tem privacidade, a agenda nunca cessa, os horários são rígidos, a comida é estranha para nós, o sono é pouco, falar é restrito e isto continua por meses.

O segredo é não pensar no dia de amanhã e viver só por hoje, pensar, “Só hoje, até o fim do dia, irei tentar ficar”. Se acontecer um erro, não há problema, errar é normal, não devo exigir demais de mim e muito menos ter grandes esperanças. Apenas aceite o momento. Para andar na vida, não pense em ser forte, apenas dê um passo de cada vez. É como quando estamos em retiro e começamos uma sessão de Zazen. Se ficarmos pensando em todos os Zazen que teremos pela frente, que em geral são doze em um dia de retiro, nossa mente pode não suportar. Devemos pensar, “Vou ficar sentado até tocar o sino e terminar esse Zazen”. Quando você faz assim, rapidamente chega o final do retiro e a sensação muda, você quer que continue, não deseja mais ir embora. Não se preocupe em ter forças, apenas dê um passo de cada vez.

Apenas um passo de cada vez
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2015/01/apenas-um-passo-de-cada-vez.html
Imagens: Monge Daitetsu