14 de maio de 2016

Zazen - 01/05/2016

Eu nada desejo a mais nesta vida. Não me ajoelho diante de ninguém ao mendigar. Tampouco me apego ao que os outros esperam de mim. Quando tenho o que comer, eu como; quando não há nada para comer, então não como.

Meu ânimo é firme: enquanto a vida me alcançar, viverei, e quando a morte chegar, então morrerei. Neste momento a vida se estende diante de mim até o horizonte, e é tão clara como o céu azul; o que poderia ser mais belo?

Eu não tenho pátria. Em vez disso, onde eu estiver, estarei em casa. Em nenhum lugar eu me sinto como um hóspede. Nos templos para onde sou convidado vivo como se eles fossem o meu próprio. Vivo naturalmente, sem grandes cerimônias. Cada passo que dou, estou em casa.

Em cada passo, se manifesta o universo. Nenhum lugar para ir, nenhum lugar para onde voltar. Não há qualquer lugar onde poderia me esconder, e nenhum lugar me resta para caminhar.

Kōdō Sawaki Roshi (澤木興道, Sawaki Kōdō)
Japão 1880 - 1965


1 de maio de 2016

Zazenkai Daissen Ji Zen Maringá e Daissen Ji Zen Londrina - 23/04/2016

O Zazenkai foi realizado no dia 23/04/2016, no Centro de Espiritualidade Rainha da Paz em Maringá-PR.
Sob a figueira, o eremita Gautama focou todos os seus formidáveis poderes de concentração para examinar profundamente o seu corpo. Observou que cada célula era como uma gota de água de um rio fluindo infindavelmente através do nascimento, existência, morte, e não conseguia encontrar nada no corpo que permanecesse imutável, ou que se pudesse dizer que contivesse um eu independente. Intermesclado com o rio do seu corpo, estava o rio dos sentimentos, no qual cada sensação era uma gota de água. Essas gotas também se misturavam umas com as outras num processo de nascimento, existência e morte. Alguns sentimentos eram prazerosos, alguns, desagradáveis; alguns, neutros, porém tudo era impermanente: eles apareciam e desapareciam assim como as células do corpo.

Com sua grande concentração, Gautama explorou a seguir o rio das percepções que seguem fluindo ao longo dos rios do corpo e dos sentimentos. As gotas no rio das percepções mesclavam-se e influenciavam uma à outra em seu processo de nascimento, existência e morte. Se a percepção de alguém era equivocada, a realidade lhe aparecia velada. Ele viu que as pessoas eram apanhadas em infindável sofrimento devido às suas percepções distorcidas: elas acreditavam ser permanente, o que é impermanente; acreditavam ser um eu, o que não é um eu; acreditavam que aquilo que não tem nascimento e morte, tem nascimento e morte, e dividiam em partes o que é inseparável, indivisível.

Em seguida, Gautama focou a luz da sua consciência sobre os estados mentais que eram fontes de sofrimento – medo, raiva, ódio, arrogância, inveja, apego e ignorância. A plena consciência irradiou-se dentro dele como um sol brilhante, e ele utilizou aquele sol de consciência para iluminar a natureza de todos estes estados mentais negativos. Viu que eles emergiam devido à ignorância. Eram o oposto da mente atenta. Eram a escuridão – a ausência de luz. Ele viu que a chave da liberação residia em sobrepujar a ignorância e penetrar profundamente no coração da realidade, atingindo uma direta experiência dela. Esse não era um conhecimento baseado no intelecto, no raciocínio, mas na experiência direta.

No passado, Sidarta havia andado por inúmeros caminhos para dominar o medo, a raiva e o apego, porém os métodos que tinha utilizado não geraram frutos porque eram apenas tentativas de suprimir tais sentimentos e emoções. O monge agora entendia que a causa deles era a ignorância e que, quando alguém se desvencilha da ignorância, os obscurecimentos mentais se desvanecem por si mesmos, como sombras desaparecendo sob a luz do sol nascente. O vislumbre de compreensão de Sidarta era fruto de sua profunda concentração.

Ele sorriu e elevou o olhar para uma folha da árvore pipal impressa contra o céu azul, sua haste revoando para frente e para trás como se o estivesse chamando. Olhando profundamente para a folha, com clareza, viu a presença do sol e das estrelas – sem o sol, sem a luz e o calor, ela não existiria. Isto é assim, porque aquilo é daquela maneira. Também viu, na folha, a presença das nuvens – sem nuvens, não poderia haver chuva e, sem a chuva, a folha não poderia ser. Ele viu a terra, o tempo, o espaço e a mente – todos estavam ali presentes. Realmente, naquele exato momento, o universo inteiro existia naquela folha. A realidade da folha era um maravilhoso milagre.

Embora, ordinariamente, pensemos que uma folha nasça na primavera, Gautama podia ver que ela já estava lá por um longo, longo tempo, na luz do sol, nas nuvens, na árvore e nela mesma. Vendo que a folha jamais havia nascido, pôde ver que ele próprio também jamais havia nascido. Ambos, a folha e ele mesmo, tinham apenas se manifestado – nunca tinham nascido e, assim, eram incapazes de morrer. Com este vislumbre de consciência, ideias tais como nascimento e morte, aparecimento e desaparecimento, dissolveram-se, e a verdadeira face da folha, assim como a sua verdadeira face se revelaram. Ele pôde ver que a presença única de qualquer fenômeno tornava possível a existência de todos os demais fenômenos. Um incluía todos, e todos estavam contidos em um.

A folha e seu corpo eram um. Nenhum deles possuía um eu separado ou permanente. Nenhum deles podia existir independentemente do restante do universo. Vendo a natureza interdependente de todos os fenômenos, Sidarta viu a natureza vacuosa de tudo – que todas as coisas eram desprovidas de um eu separado, isolado. Ele percebeu que a chave da liberação repousava nestes dois princípios de interdependência e não-eu. As nuvens flutuavam através do céu, formando uma alva base para a translucente folha da árvore pipal. Talvez, naquele entardecer, as nuvens encontrassem uma frente fria e se transformassem em chuva. Nuvens eram uma manifestação; a chuva, outra. As nuvens também eram não-nascidas e não morreriam. Se as nuvens compreendessem aquilo, Gautama pensou, com certeza, cantariam alegremente enquanto caíssem em forma de chuva sobre as montanhas, florestas e campos de arroz.

Iluminando os rios do corpo, sentimentos, percepções, formações mentais e consciência, Sidarta agora entendia que a impermanência e ausência de um eu são as próprias condições necessárias à vida. Sem a interdependência e ausência de um eu, nada poderia crescer ou se desenvolver. Se um grão de arroz não tivesse a natureza da impermanência e da vacuidade em relação a um eu, ele não poderia transformar-se na muda de arroz. Se as nuvens não fossem desprovidas de um eu e impermanentes, não poderiam se transformar em chuva. Sem a natureza impermanente e desprovida de um eu, uma criança jamais se transformaria em um adulto. “Logo, – ele pensou – aceitar a vida significa aceitar a impermanência e a ausência de um eu. A fonte do sofrimento é a falsa crença na permanência e na existência de eus separados. Vendo isso, entender-se-ia que não há nem nascimento nem morte, nem produção nem destruição, nem um nem muitos, nem interior nem exterior, nem grande nem pequeno, nem puro nem impuro. Tais concepções são falsas distinções criadas pela falsa intelecção. Se alguém penetrar na natureza vacuosa de todas as coisas, transcenderá todos os obstáculos mentais e se liberará do ciclo de sofrimento.

Thich Nhat Hanh

Zazen - 17/04/2016


Para muitos de nós, estas noções de nascimento e morte, chegada e partida, causam a nossa maior dor. Pensamos que a pessoa que amávamos veio até nós de algum lugar e agora foi embora para algum lugar. Mas nossa verdadeira natureza é uma natureza que nem chega e nem vai embora. Não viemos de lugar algum, e não iremos para lugar algum.

Thich Nhat Hanh

Imagem: Monge Daitetsu

10 de abril de 2016

Zazen - 10/04/2016

Praticar zazen em grupo é a coisa mais importante para o budismo - e para nós - porque esta prática é o modo de vida original. Sem conhecer a origem das coisas, não podemos avaliar o resultado do esforço de toda uma vida. Nosso esforço há de ter algum sentido. Encontrar o sentido de nosso esforço é encontrar a fonte original de nosso esforço. Não devemos nos preocupar com o resultado de nosso esforço antes de conhecer sua origem. Se a origem não for clara e pura, nosso esforço não será puro e o resultado não nos satisfará. Quando retomamos nossa natureza original e incessantemente nos esforçamos a partir dessa base, então apreciamos o resultado de nosso esforço momento após momento, dia após dia, ano após ano. Eis como devemos apreciar a vida. Aqueles que se apegam apenas ao resultado de seu esforço não terão qualquer oportunidade de apreciá-lo, porque o resultado nunca virá. Mas se, momento após momento, seu esforço emergir de sua origem pura, tudo quanto você fizer será bom, e você ficará satisfeito com qualquer coisa que faça.

Shunryu Suzuki. Mente Zen, Mente de Precipitante.

Imagem: Monge Daitetsu

Zazen - 03/04/2016

Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém. O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.

Shunryu Suzuki Roshi

20 de março de 2016

Zazen - 20/03/2016 - Aniversário de Cinco Anos



Com Sensei Silveira, Presidente da Associação Londrinense de Karatê

Não procure a iluminação. Não tente escutar os fenômenos ilusórios. Não odeie os pensamentos que surgirão, nem os ame, e sobretudo não os guarde. De qualquer maneira, pratique o grande fundamento, aqui e agora. Se você não guardar o pensamento, ele não voltará por si só. Se você se entregar à expiração e deixar a inspiração enchê-lo, em um vaivém harmonioso, nada mais restará do que uma almofada sob o céu vazio, o peso de uma chama.


Koun Ejo

Zazen – 13/03/2016

Abrir mão de nós mesmos quer dizer abandonar nossas ideias dualistas. Assim, não há diferença entre a prática do zazen e a prática da reverência. Usualmente, a reverência expressa nosso respeito por algo que merece mais respeito que nós mesmos. Mas, ao reverenciar o Buda, você não deve ter em mente uma ideia acerca do Buda; você simplesmente se torna um com o Buda, você já é o próprio Buda. Quando se torna um com o Buda, um com tudo o que existe, você encontra o verdadeiro significado de ser. Quando você abandona as ideias dualistas, tudo se torna seu mestre". 

Shunryu Suzuki Roshi. Mente Zen, Mente de Principiante.


6 de março de 2016

Zazen - 06/03/2016

Imagem: Monge Daitetsu
"...cada reverência expressa um dos quatro votos budistas: "Embora os seres vivos sejam inumeráveis, eu me comprometo a salvá-los. Embora meus desejos sejam inesgotáveis, eu me comprometo a libertar-me deles. Embora os ensinamentos sejam ilimitados, eu me comprometo a aprendê-los todos. Embora o budismo seja inalcançável, eu me comprometo a atingi-lo". Se é inalcançável, como é possível alcançá-lo? E, no entanto, devemos fazê-lo. Isso é o budismo. Pensar "porque é possível nós o faremos" não é budismo. Nós temos que fazer mesmo o impossível, porque nossa verdadeira natureza o exige. A questão de ser ou não possível não vem ao caso. Se almejamos nos livrar das ideias egocentradas, temos de fazê-lo. Quando realizamos esse esforço, nossos desejos mais profundos são apaziguados e nisso consiste o nirvana...". 

Shunryu Suzuki. Mente Zen, Mente de Principiante.

28 de fevereiro de 2016

Zazen - 28/02/2016

Quando a mente está vinculada a algo fora dela própria, trata-se da pequena mente, uma mente limitada. Se sua mente não estiver vinculada a nada, então não haverá́ mais compreensão dualista na atividade de sua mente. Compreenderá que a atividade não é mais do que ondas da sua mente. A mente grande experimenta tudo dentro de si própria. Percebe a diferença entre ambas? A mente que tudo inclui e a mente ligada a alguma coisa em particular? Na verdade, elas são a mesma coisa, a compreensão é que é diferente, e sua atitude perante a vida será diferente de acordo com a compreensão que você tiver.

Shunryu Suzuki. Mente Zen, Mente de Principiante.

Imagem: Monge Daitetsu

21 de fevereiro de 2016

Zazen - 21/02/2016

Viver no reino da natureza de Buda significa morrer como ser inferior, momento após momento. Quando perdemos o equilíbrio, morremos; mas ao mesmo tempo evoluímos, crescemos. Tudo o que vemos está constantemente mudando, perdendo seu equilíbrio. Por estarem fora de equilíbrio é que as coisas se mostram belas, mas o fundo em que se inserem está sempre em perfeito equilíbrio. Esta é a forma como as coisas existem na natureza de Buda: perdendo o equilíbrio sobre um fundo em perfeito equilíbrio. Assim, se você vê as coisas sem se dar conta da natureza búdica que lhes serve de fundo, tudo se apresenta em forma de sofrimento. Mas, se compreende o fundamento da existência, você se dá conta de que o sofrimento reside na maneira como levamos a vida. Assim, no Zen algumas vezes se dá ênfase ao desequilíbrio, à desordem da vida. 

Shunryu Suzuki. Mente Zen, Mente de Principiante.

Imagem: Monge Daitetsu

14 de fevereiro de 2016

Zazen - 14/02/2016

Imagem: Monge Daitetsu.
Estamos sempre procurando nos agarrar à vida e fugir da morte. Mas, de acordo com os ensinamentos, tudo é nirvana desde o não-princípio. Assim, por que temos de nos agarrar a uma coisa e evitar a outra? Na dimensão suprema, não existe começo nem fim. Pensamos que existe alguma coisa a ser alcançada, algo fora de nós, mas tudo já está presente. Quando transcendemos as noções de dentro e fora, sabemos que o objeto que desejamos alcançar já está dentro de nós. Não temos que procurá-lo no espaço ou no tempo. Ele já está à nossa disposição no momento presente. A contemplação no “nada a alcançar” é muito importante. O objeto que desejamos conseguir já foi conseguido. Não precisamos conseguir nada. Nós já o temos. Nós já o somos.

Thich Nhat Hanh
Do livro Transformações na Consciência

Zazen - 31/01/2016

Abrace o seu sofrimento, sorria e descubra a fonte da felicidade que existe em seu interior. Os Budas também sofrem, mas eles sabem transformar o sofrimento em felicidade e compaixão. Sabem que o sofrimento e a alegria são impermanentes. Aprendem a arte de cultivar a felicidade (tradução livre). 

Thich Nhat Hanh

24 de janeiro de 2016

Zazen - 24/01/2016

Hoje eu vi uma nuvem.

Caminhando entre prédios e pessoas, fluindo contra a corrente de sonhos e frustrações, repentinamente olhei para o alto.

Olhei para o céu, para um azul tão profundo que me fez congelar no tempo infinito de um piscar de olhos, no espaço imenso entre dois passos.

Olhei para o céu e vi uma nuvem. Não era especial, multicolorida, misteriosa ou cenográfica.

Não era nuvem de amanhecer ou pôr do sol, sequer nuvem de meio-dia.

E entretanto, era tão bela!

Ninguém mais via a nuvem.

Ela passava lentamente, um colosso suave no mais profundo azul -- e ninguém mais olhava para ela.

Aquelas pessoas viam (tenho certeza disso) o asfalto.

Percebiam o concreto, os seus horários, seus compromissos, seus sucessos, sua pressa e a tediosa rotina de uma mente embotada de desejos.

Mas nenhuma -- nem mesmo uma única delas -- via a nuvem.

Eu fui afortunado. Em um momento simples e causal, despertei por alguns instantes do sono medíocre de minha ignorância e olhei para o céu.

Olhei para aquele cenário imenso por trás da banalidade insensível, e vi a força do momento.

Ninguém mais via a nuvem, e apesar disso ela passava sem rancor ou alarde, generosamente nos oferecendo a dádiva de sua momentânea realidade.

A vida é arte pura, feita por momentos grávidos de possibilidades.

Apesar dos medos, apesar dos anseios, da cobiça e da frustração.

Apesar dos ódios, da mesmice, do desprezo e da ilusão.

Apesar de tudo, existem as nuvens...

Monge Kōmyō
Janeiro de 2014

17 de janeiro de 2016

Zazen - 17/01/2016

Imagem: Monge Daitetsu
Os sinos de plena consciência estão soando. Por toda a Terra estamos experimentando enchentes, secas e incêndios florestais massivos. O gelo está derretendo no Ártico e furacões e ondas de calor estão matando milhares. As florestas estão desaparecendo rapidamente, os desertos estão crescendo, espécies estão se extinguindo cada dia, e mesmo assim continuamos a consumir, ignorando o soar dos sinos.
...

Budismo é a mais forte forma de humanismo que temos. Pode nos ajudar a viver com responsabilidade, compaixão e bondade amorosa. Cada praticante budista deveria ser um protetor do ambiente. Temos o poder de decidir o destino de nosso planeta. Se despertarmos para nossa verdadeira situação, haverá uma mudança na nossa consciência coletiva. Temos que fazer algo para acordar as pessoas. Temos que ajudar o Buda a acordar as pessoas que estão vivendo num sonho.

(Do livro “The world we have” – Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)

6 de dezembro de 2015

Zazen - 06/12/2015

Quando estamos com dor de dentes, sabemos que não ter dor de dentes é felicidade. Mais tarde, quando a dor cessa, não damos mais valor à ausência de dor de dentes. A prática da atenção plena nos ajuda a dar valor ao bem que já está manifestado. Com a atenção plena, seremos gratos por nossa felicidade, e talvez sejamos capazes de fazê-Ia durar mais. [...]

Faça a si mesmo a seguinte pergunta: "O que alimenta a alegria em mim? O que nutre a alegria nos outros? Será que estou alimentando suficientemente a alegria em mim mesmo e nos outros?" Estas são perguntas referentes à Terceira Nobre Verdade. A cessação do sofrimento o bem-estar estará disponível se soubermos usufruir das preciosas jóias que já possuímos. Você tem olhos que enxergam, pulmões que respiram, pernas que andam e lábios capazes de sorrir. [...]

Alcançando a Felicidade
Do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda
Thich Nhat Hanh
Imagem: Nelson San

29 de novembro de 2015

Zazen - 29/11/2015

Imagem: Monge Daitetsu
Os três venenos da mente - cobiça, ódio e delusão - estão mergulhando a humanidade em sangue e lama.

Mas há uma saída. Sempre houve e sempre haverá. Ela se abriga em nossas palavras, atos e pensamentos. Somos todos responsáveis. Apesar de tudo, apesar de tantas tragédias, apesar daqueles que destroem, roubam e enganam, podemos mudar o mundo mudando a nós mesmos.

Observe, respire, sinta. O grito dos insensatos jamais irá superar o silêncio da calma sabedoria. Nosso coração tem cura. Podemos despertar do sono da ignorância.

Não se deixe envenenar. Confie, pois ainda há esperança. Vamos, venha. Dê o passo, caminhe comigo. Somente juntos poderemos deixar essa escuridão para trás.

Pratique a paz.

Monge Kōmyō

22 de novembro de 2015

Zazen - 22/11/2015

Esta é a questão com a insatisfação do samsara, não é ela que move as pessoas para a prática, porque não é por desejar algo que você vem praticar, se você vier praticar e sentar em zazen dizendo, “eu quero alcançar algo aqui e agora, eu quero ganhar uma medalha chamada iluminação, eu quero ser reconhecido como uma pessoa iluminada” ou coisas assim, você não vai conseguir nada, esse “eu” vai atrapalhar tudo porque de novo, é a mente aquisitiva lá de fora que foi trazida aqui para dentro. Assim como você queria um carro novo, você quer uma iluminação melhor, superior a dos outros, você não vai conseguir, você tem que sentar em zazen desistindo de alcançar qualquer coisa e, se você desistir, aí sim você começa a melhorar a prática.


“Abra a mão, deixe cair”
Monge Genshô


Imagem: Monge Daitetsu

1 de novembro de 2015

Zazen - 01/11/2015




Os seres em sofrimento correm atrás das coisas sem conhecerem a si mesmos. É um erro pensar que as coisas existem separadas de nós, nisso consiste nossa delusão. Na realidade todas as coisas do universo estão indissoluvelmente ligadas. Visto que sou uno com o universo, tudo o que se apresenta diante de mim é uma forma de mim mesmo.

Kodo Sawaki Roshi

25 de outubro de 2015

Zazen - 25/10/2015

Imagem: pintura de autoria de Monge Kōmyō

Dois homens estavam discutindo sobre uma flâmula que tremulava ao vento:

-É o vento que realmente está se movendo! Declarou o primeiro.

-Não, obviamente é a flâmula que se move! Contestou o segundo.

Um mestre Zen, que por acaso passava perto, ouviu a discussão e os interrompeu dizendo:

-Nem a flâmula nem o vento estão se movendo, disse, “É a MENTE que se move”.

Conto Zen
http://opicodamontanha.blogspot.com.br/

18 de outubro de 2015

Zazen - 18/10/2015

A prática é muito simples. Isso, entretanto, não significa que não irá transformar por completo nossa vida. [...]

Sentar é essencialmente um espaço simplificado. Nossa vida diária está em constante movimento: acontecem muitas coisas, muitas pessoas falam, muitos acontecimentos ocorrem. Em meio a tudo isso, é muito difícil sentir o que somos em nossa vida. Quando simplificamos a situação, quando deixamos os elementos externos de lado e nos retiramos do alcance do toque do telefone, da televisão, das pessoas que nos visitam, do cachorro que precisa passear, temos uma chance - que é, exatamente, a coisa mais valiosa que existe - de ficar de frente para nós mesmos. A meditação não está relacionada com algum estado e, sim, com seu praticante. Não diz respeito a alguma atividade, ou a consertar ou a conseguir algo. Refere-se a nós. Se não simplificamos a situação, a oportunidade de dar uma boa olhada em nós mesmos fica muito reduzida, porque aquilo que nos propomos a ver não somos nós e, sim, tudo o mais. Se algo dá errado, para o que olhamos? Olhamos para o que saiu errado e, em geral, para aqueles que a nosso ver foram os responsáveis. Ficamos o tempo todo olhando para fora, e não para nós. [...]

[...]A prática, em qualquer estágio, é simplesmente ser quem somos a cada momento. Não é uma questão de sermos bons ou maus, melhores ou piores. [...]

Confiar que as coisas são como são é o segredo da vida. Porém, não queremos saber de nada disso. Posso confiar absolutamente que, no ano que vem, minha vida mudará, estará diferente, e, no entanto, será sempre do que jeito que é. Se eu tiver um ataque cardíaco amanhã, posso confiar que, porque eu o tive, eu o tenho. Posso me apoiar na vida como ela é. [...]

Praticar o zen nunca é tão fácil quanto falar sobre ele. [...]. Apesar disso, quando sentamos bem, tudo o mais se incumbe de si mesmo. Por essa razão, se estamos praticando o sentar há cinco ou vinte anos, ou estamos apenas no começo, é importante sentar com um grande e meticuloso cuidado.

O que a prática é?
Charlotte Joko Beck


27 de setembro de 2015

Zazen - 27/09/2015

"... A prática não é atingir algum estado de graça. Não é ter visões. Não é ver luzes brancas (ou róseas ou azuladas). Todas essas coisas podem ocorrer e, se sentarmos durante tempo suficiente, talvez elas aconteçam mesmo. Porém, isto não é a prática.



A prática não é para ter sentimentos agradáveis, felizes. Não é para se sentir bem, em vez de mal. Não é uma tentativa de ser ou de sentir qualquer coisa especial. O produto ou a finalidade da prática, ou aquilo a que ela se refere, não é ser/estar sempre calmo ou controlado.

Se nosso barco cheio de esperanças, ilusões e ambições (de chegar a algum lugar, de tornar-se espiritual, de ser perfeito, de alcançar a iluminação) vira de ponta-cabeça, o que é este barco vazio? Quem somos nós? O que, em termos de nossas vidas, podemos perceber, conhecer? E o que é a prática?"


Charlotte Joko Beck
Imagem: Monge Daitetsu

20 de setembro de 2015

Zazen - 20/09/2015

Imagem: Monge Daitetsu
Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo, não deves afirmar ou negar nada.

Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade, e o que quer que seja negado não é verdadeiro.

Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?

E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?

Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio, Silêncio - e um dedo apontando o Caminho.

Verso Zen

13 de setembro de 2015

Zazen - 13/09/2015

"...Quando vamos sentar no zafu fazemos uma reverência, nos conscientizando de tudo que foi necessário acontecer para que o zafu estivesse onde está e para que fosse possível sentar e praticar. Após isto giramos e fazemos nova reverência, desta vez para todos os colegas, como a pedir desculpas por todos os sons que iremos emitir e porque vamos nos mexer e perturbá-los. Cada gesto deve ter dentro de si esta reverência e temos que levá-la para nossos lares. Quando você abre o chuveiro na sua casa, sai água, então você deve ter reverência por tudo que tornou possível ter seu banho confortável de água quente. Cada coisa que existe em sua casa, cada conforto, tem por trás muita morte e sofrimento. Por isso, no sesshin, fazemos tantas reverências e a cada reverência temos que nos lembrar o porquê é assim...". 

Monge Genshô 

Imagem: Monge Daitetsu

6 de setembro de 2015

Zazen - 06/09/2015

Imagem: Monge Daitetsu
Aluno – Eu só consigo meditar com olhos fechados, eu vou visualizando cores que vêm aleatórias e me concentro nas cores e nos sons...isto está errado?

Monge Genshô – Não é para se concentrar em nada. Isso não é zazen, ainda não é zazen. Você está vendo coisas, ilusões, e se concentrando nelas. Não é para se concentrar nas ilusões que surgem, mas na realidade tal como ela é. Então nós abrimos os olhos levemente, semicerrados para baixo, não focamos em nada, também é errado abrir os olhos e começar a olhar, procurar cavalinhos, elefantes, nas frestas da parede etc. Um bom exercício é olhar para a parede e não procurar ver nada, desligar, é só isso que existe, as coisas tais como são, na sua frente, não as coisas que você fabrica na sua mente. Onde estão as imagens que nós vemos nas nuvens? Na mente. 

Então você não tem que projetar as imagens da sua mente, procurar ver cores ou se concentrar em algo. Não é para se concentrar. Zazen não é concentração simples. Zazen é aceitar tudo que vem. Eu estou aqui olhando, mas estou ouvindo um pássaro lá fora. Eu aceito. Um carro subiu a ladeira. Eu aceito. Começou a chover. Eu aceito. Eu não julgo nada. Um mosquito veio, voou e me picou. Eu aceito (afinal de contas ele precisa comer). Se eu fizer isso, aceitar as coisas tais como elas se apresentam, eu estou treinando para a vida. Se eu fechar os olhos eu aumento as probabilidades de sair daqui deste lugar, porque eu quero ficar aqui, neste lugar, no presente. Com os olhos um pouco abertos, eu ainda estou aqui, vendo este local, que é a realidade. Eu quero aceitar a realidade, os sons reais, as coisas como são. Não julgá-los, não apreciá-los, não é para apreciar, é só para aceitar. Por isso meditação é com os olhos abertos, não é com os olhos fechados. Esqueça o objetivo de “me concentrar”. Sente e aceite. Só. Só exista. Uma árvore que está ali fora, passa o vento e ela balança. Ela aceita. Seja como a árvore, aceite os ventos. 

Monge Genshô

23 de agosto de 2015

Zazen - 23/08/2015

'...O caminho do budismo consiste em eliminar as sementes que fazem surgir o sentimento, no caso da raiva, eliminar todos os motivos da raiva, de modo que quando alguém o insultar, você vê nele uma pessoa perturbada, ele tem os sentimentos negativos, mas não é culpa dele, pois ele está sendo arrastado por um turbilhão de sentimentos. Da mesma forma que você olha para uma criança mimada, você deveria olhar para um adulto enraivecido. Desta maneira, o sentimento de raiva não surge em você não porque você o controla, mas sim porque ele não tem base para se manifestar, não tem terreno onde a semente brotar. Não se trata de controlar, mas sim de mudar seu carma...'

Monge Genshô
SROTAPANNA, AQUELE ENTRA NA CORRENTE.
Imagem: Monge Daitetsu

16 de agosto de 2015

Zazen - 16/08/2015

Imagem: Monge Daitetsu
O nosso maior medo é o de que quando morrermos nos tornaremos nada. Para estar livre do medo, devemos olhar profundamente para a dimensão última e ver a nossa verdadeira natureza que não nasce e não morre. Precisamos nos libertar dessas idéias que nós somos apenas nossos corpos mortais. Quando compreendemos que nós somos mais que nossos corpos físicos, que não viemos do nada e não desaparecemos em inexistência, nos libertamos do medo.

Thich Nhat Hanh

Zazen - 02/08/2015

MAKA HANNYA HARAMITA SHINGYO (Japonês)
Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa (Português)

KAN-JI ZAI BO-SATSU GYO JIN
Quando Kanzeon Bodisatva praticava em

HAN-NYA HA-RA-MI-TA JI SHO KEN GO
profunda sabedoria completa, claramente observou

ON KAI KU DO IS-SAI KU YAKU
o vazio dos cinco agregados, assim se libertando de todas as tristezas e
sofrimentos.

SHA-RI-SHI SHIKI FU I KU KU FU I SHIKI
Ó Sariputra! Forma não é mais que vazio. Vazio não é mais que forma.

SHIKI SOKU ZE KU KU SOKU ZE SHIKI
Forma é exatamente vazio. Vazio é exatamente forma.

JU SO GYO SHIKI YAKU BU NYO ZE
Sensação, conceituação, diferenciação e conhecimento assim também o são.

SHA-RI-SHI ZE SHO HO KU SO FU-SHO FU-METSU
Ó Sariputra! Todos os fenômenos são vazio-forma, não nascidos, não mortos,

FU-KU FU-JO FU-ZO FU-GEN
não puros, não impuros, não perdidos, não encontrados.

ZE-KO KU CHU MU-SHIKI MU JU SO GYO SHIKI
Assim é tudo dentro do vazio. Sem forma, sem sensação, conceituação,
diferenciação, conhecimento;

MU-GEN NI BI ZES-SHIN NI
sem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente;

MU-SHIKI SHO KO MI SOKU HO
sem cor, som, cheiro, sabor, tato, fenômeno.

MU-GEN KAI NAI-SHI MU-I-SHIKI-KAI
Sem mundo de visão, sem mundo de consciência,

MU MU-MYO YAKU MU MU-MYO JIN
sem ignorância, sem fim à ignorância,

NAI-SHI MU-RO-SHI. YAKU MU-RO-SHI JIN
sem velhice e morte, sem fim à velhice e morte.

MU-KU SHU METSU DO
Sem sofrimento, sem causa, sem extinção e sem caminho.

MU-CHI YAKU MU-TOKU I MU-SHO-TOK-KO
Sem sabedoria e sem ganho. Sem nenhum ganho.

BO-DAI SA-TA E HAN-NYA HA-RA-MI-TA
Bodisatva devido à compreensão da sabedoria completa.

■ KO SHIN MU KEI-GE MU-KEI-GE KO MU U KU-FU
Coração-mente sem obstáculos. Sem obstáculos, logo, sem medo.

ON-RI IS-SAI TEN-DO MU-SO KU-GYO NE-HAN
Distante de todas delusões, isto é Nirvana.

SAN-ZE SHO-BUTSU E HAN-NYA HA-RA-MI-TA
Todos os Budas dos três mundos devido à sabedoria completa

■ KO TOKU A-NOKU TA-RA-SAN-MYAKU-SAN-BO-DAI
obtêm iluminação insuperável, completa e perfeita.

KO CHI HAN-NYA HA-RA-MI-TA
Saiba que sabedoria completa

ZE DAI-JIN-SHU ZE DAI-MYO-SHU
é expressão de grande divindade, expressão de grande claridade,

ZE MU JO-SHU ZE MU TO-DO-SHU
expressão insuperável, expressão inigualável,

NO-JO IS-SAI-KU SHIN JITSU FU-KO
com capacidade de remover todo o sofrimento. Isto é verdade não é mentira!

KO SETSU HAN-NYA HA-RA-MI-TA SHU
Assim, invoque e expresse a sabedoria completa,

SOKU SETSU SHU WATSU
invoque e repita:

GYA-TE GYA-TE
vá, vá,

■ HA-RA GYA-TEI HARA SO GYA-TE
vá além, vá além do além,

■ BO-JI SOWA-KA
para a outra margem da iluminação.

HAN-NYA SHIN-GYO ■
Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa.



26 de julho de 2015

Zazen - 26/07/2015

Se este momento é feliz ou não, depende de você. 

É você quem cria o momento feliz. Não é o momento que lhe faz feliz. 

Com plena consciência, concentração e discernimento, qualquer momento pode se tornar um momento feliz. 

Felicidade é uma arte. 

Thich Nhat Hanh

Imagem: Monge Daitetsu

18 de julho de 2015

Encontro de meditação - encerramento do semestre

18/07/2015 - Encontro de meditação - encerramento do semestre. 
Sanghas de Maringá e de Londrina.


Em nome do Daissen Ji Londrina, gostaria de agradecer a Ji Ho San, Raquel San, Fernando San e toda a sangha de Maringá pela calorosa acolhida! Foi um dia muito especial!

No Dharma 
Monge Daitetsu



12 de julho de 2015

Zazen - 12/07/2015

Imagem: Monge Daitetsu

"[...] Este corpo não sou eu. Não estou aprisionado neste corpo. Sou vida sem limites. Estes olhos não são eu. Não estou aprisionado nestes olhos. Estes ouvidos não são eu. Não estou aprisionado nestes ouvidos. Esta língua não sou eu. Não estou aprisionado nesta língua. Este corpo não sou eu. Não estou aprisionado neste corpo. Esta mente não sou eu. Não estou aprisionado nesta mente. 
[...]
Essas coisas que vejo não são eu. Não estou aprisionado no que vejo. Estes sons não são eu. Não estou aprisionado nestes sons. Estes cheiros não são eu. Não estou aprisionado nestes cheiros. Estes sabores não são eu. Não estou aprisionado nestes sabores. Estes sentidos corporais não são eu. Não estou aprisionado nestes sentidos corporais. Estes pensamentos não são eu. Não estou aprisionado nestes pensamentos. 
[...]
O passado não sou eu. Não estou limitado ao passado. O presente não sou eu. Não estou limitado ao presente. O futuro não sou eu. Não estou limitado ao futuro. 
[...]
Tudo o que existe surge devido a causas e condições. A real natureza de tudo o que existe não nasce e não morre, não vem e não vai."

Thich Nhat Hanh

28 de junho de 2015

Zazen - 28/06/2015


Em prol de um mundo sem discriminações. Forjado no respeito humano, no reconhecimento humano.

Um mundo livre da cegueira que faz tantos olharem seus semelhantes com olhos de diferença, um mundo em que simplesmente nos chamaremos pelos nossos verdadeiros nomes -- sem distinção de gênero, cor de pele, religião, aparência...

Um mundo, enfim, livre da triste doença do desprezo, da grosseria, do preconceito, da arrogância.

Muitos ainda são incapazes de alcançar o real sentido de palavras como essas. Estão por demais mergulhados em egoísmo, anuviados por discursos de ódio, perdidos em uma estrada feita de alienação.

Que um dia eles possam reconhecer, compreender, transformar e curar a dor de suas ignorâncias, e a pobreza de seu entendimento.

Este dia, este belo dia em que todos concordem, está ainda longe. E nuvens escuras ainda obscurecem os céus da humanidade.

Mas permaneço silente, confiante, talvez até ingenuamente esperançoso, de que um dia todos possam encontrar a luz da plena consciência em si mesmos, pelo bem da vida humana. Pelo bem dos seres. Pelo bem maior da Terra.

Talvez eu seja ingênuo. Mas ainda assim, não desistirei de praticar e seguir firme, com a alegre certeza de um mundo melhor.

Que assim seja.

Que todos os seres sejam felizes.

Monge Kōmyō




21 de junho de 2015

Zazen - 21/06/2015

Imagem: Monge Daitetsu
"...Muitas vezes criamos hábitos e dizemos "eu sou assim, não tem jeito!", O que eu gosto de dizer as pessoas é que: tem jeito sim! Mas vai precisar de esforço, se não houver esforço não haverá transformação. Porque criamos vícios, maneiras de falar com as pessoas, de pegar objetos, e não percebemos mais o que estamos fazendo. Então, voltar a perceber a si mesmo é uma possibilidade de modificar aquilo que não está dando bons resultados..."

Monja Coen

14 de junho de 2015

Zazen - 14/06/2015

Enquanto você procurar o Buddha em algum lugar, você nunca verá que a sua própria mente é o Buddha.

Daruma Samá


7 de junho de 2015

Zazen - 07/06/2015

Imagem: Monge Daitetsu.
Sem pensar, sem decisão, esse mundo é basicamente criado por causa e efeito, assim, é óbvio ver que mesmo sob o ponto de vista científico esse mundo também é causa e efeito. A essa verdade chamamos Dharma e sob o ponto de vista do Dharma o mundo é um só. A raiz que cria esse mundo e a vida é causa e efeito. Dessa forma esse mundo é unificado, mas para o entendermos, nós os seres humanos, usamos nosso cérebro e nossa mente dualista, bom ou mau, dentro e fora, grande e pequeno, ganho e perda, eu e os outros, sujeito e objeto. 

Causa e efeito
Saikawa Roshi

31 de maio de 2015

Zazen - 31/05/2015

Somos aquilo que sentimos e percebemos. Se estamos zangados, somos a raiva. Se estamos apaixonados, somos o amor. Se contemplamos um pico nevado, somos a montanha. Ao assistir a um programa de televisão de baixa qualidade, somos o programa de televisão. Enquanto sonhamos, somos o sonho. Podemos ser qualquer coisa que quisermos, mesmo sem uma varinha mágica.

A dança das abelhas
Em "O sol meu coração" de Thich Nhat Hanh
Imagem: Monge Daitetsu

17 de maio de 2015

Zazen - 17/05/2015

Eu não desejo mais nada nesta vida. Não me ajoelho diante de ninguém para mendigar. Tampouco me apego ao que os outros esperam de mim. Quando tenho o que comer, eu como; quando não há nada para comer, então não como.

Meu ânimo é firme: enquanto a vida me alcançar, viverei, e quando a morte chegar, então morrerei. Neste momento a vida se estende diante de mim até o horizonte, e é tão clara como o céu azul; o que poderia ser mais belo?

Imagem: Monge Daitetsu
Eu não tenho pátria. Em vez disso, onde eu estiver, estarei em casa. Em nenhum lugar eu me sinto como um hóspede. Nos templos para onde sou convidado vivo como se eles fossem o meu próprio. Vivo naturalmente, sem grandes cerimônias. Cada passo que dou, estou em casa.

Em cada passo, se manifesta o universo. Nenhum lugar para ir, nenhum lugar para onde voltar. Não há qualquer lugar onde poderia me esconder, e nenhum lugar me resta para caminhar.

Kōdō Sawaki Roshi (澤木興道, Sawaki Kōdō), Japão 1880 – 1965
[Tradução Monge Kōmyō]

3 de maio de 2015

Zazen - 03/05/2015

Imagem: Monge Daitetsu
"... Usualmente, sem que tenhamos consciência disso, tentamos mudar as coisas em vez de mudar a nós mesmos; tentamos arrumar as coisas que estão fora de nós. Mas é impossível ordenar as coisas se você mesmo não está em ordem. Quando você faz as coisas de forma certa, no momento oportuno, tudo o mais se organiza. Você é o chefe. Quando o chefe está dormindo, todos dormem. Quando ele faz algo bem feito, todos os demais o fazem igualmente bem e no tempo certo. Este é o segredo do buddhismo. Portanto, procure manter a postura correta, não apenas quando pratica zazen mas em todas as suas atividades. Adote a postura certa quando estiver dirigindo um carro ou quando estiver lendo. Se você lê numa posição displicente, não pode ficar lúcido por muito tempo. Experimente. Você descobrirá como é importante manter a postura correta. Este é o ensinamento verdadeiro. Ensinamentos escritos no papel não são verdadeiros ensinamentos, são alimento para o cérebro. Claro que é preciso alimentar o cérebro; porém, o mais importante é ser você mesmo praticando a forma correta de viver..."

Suzuki, Shunryu. Mente Zen, Mente de Principiante.

26 de abril de 2015

Zazen - 26/04/2015

Quatro Pensamentos para a Vida Diária

Devoção Real (Roseikon)

Devotar-se completamente e sinceramente não é tão fácil como parece. No Eihei-koroku, Dogen Zenji diz que concentrar todo o ser na mente e corpo em todas as atividades é supremamente importante. Em outras palavras, dar-se de mente e corpo a qualquer coisa que faça - acordar, lavar-se, tomar o café da manhã, ir ao trabalho, encontrar com pessoas para falar de trabalho, tomar chá e assim por diante.

Nenhum Mérito (Mukudoku)

Bodhidarma, ainda venerado no Japão atual sob o nome de Daruma-daishi, introduziu o Budismo Zen na China nos princípios do sexto século, durante o reinado do iImperador Wu da dinastia Liang. Por causa do seu interesse, o Imperador orgulhosamente trabalhou para promover o Budismo e convidou Bodhidarma a permanecer com ele. Talvez contente com sua própria fé, o Imperador uma vez disse para Bodhidarma, "Construí todos estes templos Budistas, fiz com que todas as sutras fossem copiadas e treinei todos estes monges. que tipo de mérito consegui por todo este trabalho?"

Bodhidarma responteu bruscamente: "mérito algum!" Sem dúvida o Imperador, governante de toda uma nação sentiu-se desprezado.

Na verdade, Bodhidarma o estava admoestando para o fato de fazer coisas com o intuito de recompensa. O Zen nos adverte estritamente contra ter recompensas pelas ações. O espírito zen é agir sempre de uma perfeita maneira natural, descontraída e despojada.

Um Acerto em Cem Erros (Hyakufuto no Itto)

Os ensinos de Shakyamnui contém a doutrina dos quatro e oito sofrimentos (Shiku-hakku). Os Quatro são nascimento, Envelhecimento, doença e Morte. Os restantes quatro que juntos resultam em Oito são a separação do amado, associação com o indesejado, falha em atingir o desejado e o sofrimento psicossomático. O termo japonês shiku-hakku é frequentemente usado para expressar extrema dificuldade. Superar estes sofrimentos inevitáveis é um dos supremos objetivos do Budismo.

Sempre desejamos adquirir o que consideramos importante, desejável ou prazeroso, mas às vezes frustamo-nos na tentativa. Corredores não conseguem atingir a velocidade não importa o quanto pratiquem. Jogadores de beisebol manejam o taco cem vezes sem conseguirem o jeito que eles desejam. Às vezes, no entanto, no meio da prática, eles quebram a limitação e conseguem o perfeito movimento. Neste instante, rão liberados de todo o sofrimento causado pela falha de atingir o desejado.

A felicidade que eles experimentam nestas ocasiões é o resultado, não acidental, de dezenas e centenas de tentativas. Todos os esforços resultam em sucesso. Experimentam um Acerto em Cem Erros.

Olhando das alturas (Hyakushaku Kanto Shin Ippo)

Geralmente quando conseguimos atingir uma certa meta, queremos uma pausa nas alturas desfrutar a nossa satisfação. Mas devemos nos lembrar que, enquanto paramos, o rio do tempo flue sem parar. O Zen nos encoraja a prestarmos atenção ao constante fluir do tempo na forma da frase Hyakushaku Kanto Shin ippo, que significa literalmente dar um passo do topo de uma plataforma de bambú de cem pés. O Shobo-genzo Zuimonki nos diz:

"Estudante do Caminho, vamos ir de corpo e mente e entremos completamente no budha-darma. como um antigo ditado diz, "no topo de uma plataforma de cem pés, como avança um passo para a frente?" Em certa situação, pensamos que iremos morrer se sairmos da plataforma e por isso nos agarramos firmemente nele.

Dizer em 'avançar um passo a frente' significa o mesmo que decidir que não poderia ser tão mal e abandonar a vida corporal. Deveríamos parar de nos preocuparmos com tudo ,desde a arte de viver até a nossa própria vida.

A não ser que abandonemos estas coisas, será impossível atingirmos o Caminho, mesmo que pareça que estamos praticando diligentemente como se estivéssemos tentanto extinguir um fogo envolvendo nossas cabeças, Deixe o corpo e a mente seguirem de uma maneira decidida.

Traduzido por Shohaku Okumura
in Caminho Zen, nº 1-2003 pags. 10/11
Shotoshu Shumusho - Japão


22 de março de 2015

Zazen - 22/03/2015

Tudo o que vemos está constantemente mudando, perdendo seu equilíbrio. Por estarem fora de equilíbrio é que as coisas se mostram belas, mas o fundo em que se inserem está sempre em perfeito equilíbrio. Esta é a forma como as coisas existem na natureza de Buda: perdendo o equilíbrio sobre um fundo em perfeito equilíbrio.

Shunryu Suzuki Roshi

15 de março de 2015

Zazen - 15/03/15 - Comemoração dos quatro anos




Todos os seres sencientes são essencialmente Budas.

Como a água e o gelo – não há gelo sem água  – Sem os seres sencientes,

Não há Budas.

Em perceber quão próxima a verdade está, nós a buscamos muito além.



- Que lástima!



Somos como alguém no meio da água

Chorando desesperadamente de sede.

Somos como um filho de um rico homem

Que vagueia desnorteado na miséria.

A razão porque nós transmigramos

Através dos Seis Reinos é porque

Nós estamos perdidos nas trevas da Ignorância.



Indo cada vez mais fundo nas trevas da ignorância,

Como poderemos jamais nos liberar do nascimento-e-morte?

Mas quanto a prática Mahayana do zazen,

Não há palavras para elogiá-la plenamente.

Os Seis Paramitas, assim como a

Caridade, manutenção dos preceitos,

E várias outras boas ações

Como invocar o nome de Buda,

Arrependimento, e esforço espiritual,

Todos afinal retornam à prática do zazen.



Mesmo aqueles que sentaram-se em zazen apenas uma vez

Lograrão superar o karma.

Não mais eles irão encontrar maus caminhos,

E a Terra Pura não estará muito longe.

Se nós escutarmos mesmo que apenas uma vez

Com o coração aberto esta verdade,

A louvamos e alegremente a abraçamos,

Quão mais será possível então,

Se ao refleti-la profundamente em nós mesmos,

Nós claramente atingirmos a

Auto-realização,

Dando prova da verdade

De que Auto-realização é não-realização.



Nós iremos além da palavra fútil.

O Portal da unidade de causa e efeito

É assim aberto,

É não-dois,

Não-três,

Corretamente direcionados percorremos o Caminho.

Percebendo a forma da não-forma

Como forma,

Indo ou retornando

Não estaremos nós em nenhum outro lugar.

Percebendo o pensamento do

não-pensamento

Como pensamento

Cantando ou dançando,

Seremos a voz [e movimento] do Dharma.



Quão vasto e amplo

É o espaço sem fim do Samadhi!

Quão brilhante e claro

É a perfeita luz da lua das Quatro Nobres Verdades!

Neste momento o quê mais precisamos buscar?

Quando a eterna tranquilidade da Verdade

Revela-se a nós,

Este mesmo lugar é a terra dos Lótus

E este mesmo corpo

É o corpo de um Buda.



A Canção do Zazen - Hakuin Ekaku
Fonte: http://www.nossacasa.net/shunya/default.asp?menu=907