14 de dezembro de 2014

Zazen – 14/12/2014






Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser incluídos, é porque estamos distantes de um coração bondoso.


Respeito e Compaixão pelos homossexuais. Respeito e Compaixão pelas mulheres. Respeito e Compaixão pelos idosos. Respeito e Compaixão pelas crianças. Respeito e Compaixão pelos seres humanos. Respeito e Compaixão pela vida na Terra.

Respeitar é mais do que tolerar.

Compaixão é identificação e cuidado terno.

Quando minha mão esquerda se machuca, minha mão direita imediatamente a vai socorrer. Sem esperar nada em troca. Porque somos um só corpo e uma só vida.

Quando iremos todos despertar?

[...]

Ver a realidade assim como é. Sem manipular a mente de ninguém — nem mesmo a sua.

Sem ser manipulada por ninguém — a nossa mente sagrada.

Para isso é preciso despertar. Despertar é ver em profundidade. É compreender as manobras dos manobristas e se desvencilhar da visão tacanha, corrupta. Corrupta de coração rompido, de se sentir separada do todo. Em quantas corrupções você esteve envolvido hoje?

Não falar dos erros e faltas alheios é um dos Preceitos de Buda. Uma sugestão para o Nirvana, a paz sábia.

[...]

Se ainda temos de apontar para alguns grupos que devem ser respeitados e incluídos é porque estamos muito, muito distantes do coração bondoso, terno, acolhedor, humilde da compaixão ilimitada.

Nós, filhos e filhas da Terra e do Sol, habitantes da Via Láctea, podemos. Podemos e devemos apreciar a vida.

Estamos sempre chegando, chegando, partindo, indo, voltando e indo novamente.

Incessante movimento — que haja respeito e compaixão no movimento quieto do nada-tudo.

Somos o todo manifesto.

Monja Coen
Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 16/10/2014.
Fonte: http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/1626-respeito-e-compaixao

30 de novembro de 2014

Zazen – 30/11/2014 e 07/12/2014

Zazen - 30/11/14

Zazen - 07/12/14
Ao se colocar nessa postura, sua mente fica naturalmente em estado correto; portanto, não há necessidade de buscar um estado especial da mente. Quando você tenta obter algo, sua mente começa a divagar por outros lugares. Quando você não se ocupa em obter algo, seu corpo e sua mente permanecem juntos, presentes onde você está. Um mestre Zen diria: "Mate o Buda". Isto é, mate o Buda se ele existe em algum outro lugar. Mate o Buda porque é você que deve reaver sua própria natureza búdica.

Shunryu Suzuki Roshi

23 de novembro de 2014

Zazen - 23/11/2014


O ego também é uma construção de nossa mente. Porque temos sucessões de pensamentos, sensações, formações mentais e percepções, formamos uma consciência e dizemos a nós mesmos, “Eu existo”. Esse “eu existo” é absolutamente construído e por ser construído por um funcionamento da mente, é uma ilusão que cessa quando a mente pára de funcionar. Não precisa ser necessariamente com a morte, pode ser através de uma doença. Ele existe e é necessário para nosso funcionamento na dimensão histórica. Eu tenho meu “eu” de Monge, estou vestido com meu manto de Monge, estou fantasiado de Monge, o que me ajuda a desempenhar um papel nesse mundo - isso é uma construção.

Monge Genshô

21 de novembro de 2014

Palestra com Monge Genshô em Londrina - 03/12/2014


Zazen - 16/11/2014




... 

A respiração é o grande elemento para levar a mente ao momento presente, porque nós não respiramos no futuro. Nós não respiramos no passado. Nós só respiramos no presente. Vocês agora estão respirando e à medida que vocês expiram e inspiram, o fenômeno só se manifesta agora. O interessante é que: o que é o agora? É um constante vir a ser. Aonde está o agora? Como a gente pega o agora? Não se pega o agora. Aí está a grande dinâmica da experiência contemplativa. A mente que se mantém no agora é uma mente que se mantém flexível e una com a dinâmica das coisas que acontecem. Porque tudo que está se manifestando nesse momento se manifesta num fluxo de agora. Não são agoras. É sempre o agora. 


Monge Kômyô

15 de novembro de 2014

Zazen – 09/11/2014




Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. 

Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. 

Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém. 

O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. 

Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.

Fonte: Shunryu Suzuki Roshi

Zazen - 02/11/2014

Imagem: Monge Daitetsu.

Nós dizemos concentração, mas concentrar a mente em algo não é o verdadeiro propósito do Zen. Seu verdadeiro propósito é ver as coisas como elas são e deixar que tudo siga seu curso. Isso é ter as coisas sob controle, no mais amplo sentido. Praticar o Zen é abrir nossa mente pequena. Assim, a concentração é apenas um recurso para auxiliá-lo a se aperceber da "mente grande" - da mente que é o todo.

Se alguma coisa lhe vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar por coisa alguma. Pode parecer que essa coisa vem de fora mas, na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais calmas.

Fonte: Shunryu Suzuki Roshi

26 de outubro de 2014

Zazen - 26/10/2014

Imagem: Monge Daitetsu

Todos os pensamentos egocentrados limitam a vastidão da mente. Quando não alimentamos pensamentos; nenhum de conquista, nem pensamentos egocentrados, somos verdadeiros principiantes e podemos então aprender alguma coisa de fato. A mente do principiante é mente de compaixão. Quando nossa mente é compassiva, torna-se ilimitada. O mestre Dogen, fundador da nossa escola, sempre enfatizou a importância de preservar nossa mente original ilimitada. Com ela somos verdadeiros conosco, estamos em comunhão com todos os seres e podemos, de fato, praticar.


Texto de Shunryu Suzuki Roshi

29 de setembro de 2014

Zazen - 28/09/2014


Imagem: Monge Daitetsu

Yamaoka Tesshū, quando era um jovem estudante Zen, visitou um mestre após outro. Ele então foi até Dokuon de Shokoku. Desejando mostrar o quanto já sabia, ele disse, vaidoso:

"A mente, Buddha, e os seres sencientes, além de tudo, não existem. A verdadeira natureza dos fenômenos é vazia. Não há realização, nenhuma delusão, nenhum sábio, nenhuma mediocridade. Não há o Dar e tampouco nada a receber!"

Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos.

"Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"

Koan: "Nada Existe"

Fonte: http://zenlondrina.blogspot.com.br/2011/09/nada-existe.html#axzz3EjR17jDa

14 de setembro de 2014

Zazen – 14/09/2014





...


O Senhor poderia falar um pouco sobre o ego, como o Budismo vê o ego?


Monge Genshô – O ego também é uma construção de nossa mente. Porque temos sucessões de pensamentos, sensações, formações mentais e percepções, formamos uma consciência e dizemos a nós mesmos, “Eu existo”. Esse “eu existo” é absolutamente construído e por ser construído por um funcionamento da mente, é uma ilusão que cessa quando a mente pára de funcionar. Não precisa ser necessariamente com a morte, pode ser através de uma doença. Ele existe e é necessário para nosso funcionamento na dimensão histórica. Eu tenho meu “eu” de Monge, estou vestido com meu manto de Monge, estou fantasiado de Monge, o que me ajuda a desempenhar um papel nesse mundo - isso é uma construção.

...

O Buda Homem
Monge Genshô
Imagem: Monge Daitetsu

7 de setembro de 2014

Zazen – 07/09/2014


...

Se você conseguir perceber que a identidade é falsa e construída não tem mais ninguém para ser ofendido e quando a ofensa acontecer ela simplesmente não toca em você porque não tem ninguém ali, quem é que vai reagir? Então a maneira certa é essa: demolir a sua identidade vai tirar toda a energia do automatismo e energias de hábito. Eles são construídos mesmo que estejam tão fortemente enraizados no que você chamou de inconsciente. Se você praticar corretamente seus sonhos mudarão. Isso eu posso testemunhar para vocês. Os sonhos mudam. Em vez de você ter sonhos normais, você tem sonhos Dhármicos. Em vez de você reagir com raiva você no sonho reage com afeto, com compaixão, então você sabe que está realmente funcionando o seu treinamento. Se você tem sonhos de que morre e tem medo, no dia que você sonhar que está acontecendo a situação de morte e você sente apenas paz então você fez seu treinamento chegar lá na base dos seus automatismos, aquilo que você chamou de inconsciente.

…

Estratégias de treinamento para extinguir o Eu. 

Monge Genshô
Fonte: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=35

Imagem: FreeDigitalPhotos

31 de agosto de 2014

Zazen – 31/08/2014


...

Uma pessoa perguntou à Buda o que os Monges faziam? E ele respondeu:“acordamos, trabalhamos, oramos, comemos, dormimos”. “Mas isso todo mundo faz”, disse o homem e Buda respondeu: “Não é verdade, as pessoas não fazem isso integralmente”. Então muitas pessoas quando deitam para dormir ficam pensando nos problemas que têm que resolver no outro dia ou, hoje em dia, comem na frente da TV ou lendo um jornal para saber das notícias. Um homem verdadeiramente homem, senta para comer e saboreia a comida sem pensar em mais nada, sente o gosto de cada garfada colocada na boca. Isso é o contrário do que normalmente as pessoas dizem, “eu quero me divertir” ou “eu quero me distrair”. Isso é como se desligar da vida e não pensar, ou como ter que ter um som de música ou TV para não ficar sozinho consigo mesmo. Esse não ficar consigo mesmo é um sintoma de uma doença. A sanidade é você conseguir sentar e pensar apenas naquele momento, no dia maravilhoso, no cheiro das flores, nos pássaros que passam por você ou um latido de um cachorro. Estar ciente da maravilha que é você poder escutar, ver e sentir as coisas ao seu redor.

…

O sofrimento vem do apego, não do amor.
Monge Genshô
Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2014/05/o-sofrimento-vem-do-apego-nao-do-amor.html
Imagem: Monge Daitetsu

24 de agosto de 2014

Zazen – 24/08/2014



... 

Pergunta – Levando a lei do carma em consideração posso supor que somos responsáveis por todos os problemas e sofrimentos da nossa vida? 

Monge Genshô – Sim, mas não exclusivamente nessa vida. Você tem marcas que vêm do passado que fazem com que sua vida se manifeste de determinada forma, porém você tem o poder de alterar o seu carma, para o bem e para o mal. Todos podemos construir vidas melhores cuidando do seu carma. Não adianta reclamar do que acontece conosco, temos que aceitar e ir em frente e procurar transformar uma coisa ruim em boa. Tenho um bom exemplo, minha filha está no hospital com o filho com leucemia. Em vez de ela lamentar sua situação e de seu filho, está pensando em como melhorar a situação do Instituto Nacional do Câncer e em fazer campanha para aumentar o número de doadores de medula. Você pode encontrar nos dramas da vida saídas para transformar aquele sofrimento num benefício para muitas pessoas. Os resultados que ela obterá ninguém poderá avaliar agora, mas podem ser maravilhosos. Você não sabe a consequência de um ato. 

... 

O que interessa para nós nessa história é que quando dizemos algo e jogamos uma semente não podemos saber o tamanho do resultado. Somos imensamente poderosos em relação ao que podemos realizar plantando idéias e dizendo coisas para as pessoas. 

Somos imensamente poderosos
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2013/12/somos-imensamente-poderosos.html
Imagem: Monge Daitetsu

17 de agosto de 2014

Zazen – 17/08/2014



...


Pergunta – Queria que o Senhor falasse um pouco sobre a compaixão. 

Monge Genshô - A compaixão é muito diferente da pena, da piedade, a compaixão surge daquele sentimento, “sentei-me com todos os seres, todos os seres estão juntos comigo, todos os seres sofrem, então todos são como eu, eu e eles somos um”. Então se eles sofrem, eu sofro. Isso é compadecer-se. Compadecer-se é padecer junto, sentir a dor do outrojunto.“Nós” é só um grande eu. É um eu ampliado, os países às vezes pensam assim” “nós”. Mas é em relação ao seu país, ou à sua raça, mas “nós” no budismo é: todos os seres e a grande terra. Nem um fora.

___________

O Dharma é um grande presente, ele está em muitos lugares, não só no budismo. Nós devemos procurá-lo ativamente, porque ele não surge da ignorância, ele só surge do esforço e da sabedoria, então, por favor, esforcem-se....

Consciente e inconsciente
Monge Genshô

Fonte: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2014/07/consciente-e-inconsciente.html?m=1
Imagem: Rafa Ferreira

10 de agosto de 2014

Zazen – 10/08/2014


1) O senhor sempre fala sobre o Dharma, eu gostaria de tentar entender o que é o Dharma.

Monge Genshô – Nós temos três jóias no Budismo. O Buda, o Dharma e a Sangha. Temos uma cerimônia em que tomamos refúgio nessas três jóias. Tomar refúgio é como retornar e abrigar-se nas jóias. Buda não é uma pessoa, um Deus ou um salvador, Buda é essencialmente uma idéia, a idéia de que todos podemos acordar como Sidharta Gautama Shakyamuni acordou. Quando ele fez isto foi chamado de Buda, “aquele que despertou”. Todos os homens estão sonhando sonhos de ilusões, se acordam de suas ilusões, livram-se de seus sofrimentos. Sentimentos comuns como, por exemplo, ciúmes, por que ele existe? Porque somos apegados, inseguros, porque queremos possuir pessoas ou coisas, então surge esse sentimento que é, em essência, egoísta, que nasce da noção de um “eu” e este “eu” é a ilusão mais importante. É deste “eu” que Buda se livrou, acordou, livrando-se dos apegos. Esta é então a primeira jóia. Refugiar-se no Buda significa abrigar-se nessa idéia e confiar que mesmo sendo um ser imperfeito e cheio de problemas, apegos e paixões, pode-se despertar com a prática correta.

Perguntas e respostas na Sangha
Monge Genshô

Fonte: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=173

Imagem: Monge Daitetsu

3 de agosto de 2014

Zazen – 03/08/2014


...

Monge Genshô – A Sangha é uma grande oportunidade, a comunidade onde trabalhamos. Nós devemos nos perguntar a cada momento: “Quem é que? Quem é que dentro de mim ficou com raiva? Quem é que dentro de mim se impacientou? Quem é que não aceita? Quem é que não tolera os outros”? A cada momento você pode perguntar – “Quem é que”? E quando você se der conta, meu ego, meu “eu”, ele enfraquecerá. Quem é que dentro de mim, sente ou pensa? Que carrega tal ou qual sentimento? Quem é esse? E você diga a você mesmo - É meu engano. Eu me engano. Eu estou dirigindo na rua e alguém buzina atrás de mim, impaciente. Você deveria pensar, é como a chuva, ou como o vento, nada é comigo. São simplesmente as emoções daquele ser, nada é comigo porque não tem ninguém aqui para se incomodar. Então, se você tiver essa postura, não haverá perturbação nenhuma. Se você não consegue isso, pelo menos não faça nada, não diga nenhuma palavra, não reaja, não comente com os outros e depois não comente com você mesmo, não pense nada, simplesmente aceite que lá também não tem um “eu”.

Você está num barco em um lago e tem um grande nevoeiro. Outro barco vem e bate no seu, você se irrita porque o outro não está prestando suficiente atenção. Tem nevoeiro, tem que prestar mais atenção. Então você olha dentro do outro barco e não tem ninguém. É um barco vazio que o vento empurrou. Imediatamente sua raiva passa. Porque lá não tem um “eu”. Pense – “Não há eu em ninguém, também não há eu em mim, isso é só ilusão”. Esse é o primeiro passo. É uma boa estratégia. Quando conseguirem não se importar com ninguém, então poderemos passar para o segundo passo.

...

Excerto do texto: "Não acreditem em mim - testem" de autoria de Monge Genshô.
Imagem: Monge Daitetsu

30 de julho de 2014

Zazen - 27/07/2014


Como meditar?

O ZEN é o caminho para salvar a si mesmo.

A nossa prática é o Zazen Shikantaza (meditação sentada).

Deixe os pensamentos fluírem livremente, não se apegue nem se afaste de nenhum pensamento, deixe-os virem e deixe-os irem. Penetre profundamente em si mesmo.

Não julgue, não avalie, não compare, não estime. Para ajudar a si mesmo é necessário penetrar em seu próprio ser, profundamente, sem o conceito de dualidade.

Bom mau, começo fim, lucro perda, objetivo subjetivo, certo errado, eu e os outros, vida e morte, pequeno e grande. Livre-se da dualidade.

Além da dualidade está o verdadeiro sentido de todas as coisas, a compreensão de si mesmo. Sem dualidade não há nascimento e morte, eu e os outros.

A dualidade é a origem de todo o sofrimento humano.

Pratique diligentemente.

Fonte: Reverendo Saikawa Roshi. Superior da Escola Soto Zen na América do Sul. Abade do Templo Busshinji - http://www.sotozen.org.br.
Imagem: Monge Daitetsu

4 de outubro de 2012

The Buddha - Documentário



Este documentário da PBS do premiado cineasta David Grubin e narrado por Richard Gere, conta a história da vida de Buda. Ele apresenta o trabalho de alguns dos maiores artistas do mundo e escultores através de dois milênios representando a vida de Buda na arte com grande beleza e complexidade. Ouviremos idéias e narrativa antigas pelos budistas contemporâneos, incluindo o vencedor do Prêmio Pulitzer poeta WS Merwin e Sua Santidade o Dalai Lama. Acompanhe a história para aprender mais sobre a meditação, a história budista e como incorporar os ensinamentos de Buda sobre a compaixão e atenção à vida cotidiana.

Informações Técnicas :

Título no Brasil: O Buda
Título Original: The Buddha
Paísde Origem: EUA
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento: 2010
Estúdio/Distrib.:
Direção: David Grubin

Texto traduzido e adaptado de http://www.pbs.org/thebuddha/




30 de setembro de 2012

A recompensa da prática

    
Estamos sempre tentando levar nossa vida da infelicidade para a felicidade. Ou, poderíamos dizer, desejamos nos mudar de uma vida de lutas para uma de alegria. Mas essas coisas não são as mesmas: sair da infelicidade para a felicidade não é mesmo que sair da luta para a alegria. Algumas terapias buscam levar-nos de um eu infeliz para um eu feliz. A prática zen, porém, (e, talvez, algumas outras disciplinas e terapias) pode ajudar-nos a sair do eu infeliz para o não-eu, que é a alegria. 
     
Ter um "eu" significa que somos autocentrados. Ser autocentrado -e, portanto, em oposição a coisas externas -é ser ansioso e ficar preocupado consigo mesmo, é reagir de imediato com aspereza, quando o meio externo se nos opõe. Ficamos aborrecidos facilmente. Sendo autocentrados, ficamos muitas vezes confusos. É assim que a maioria das pessoas vivencia a própria vida. 

Embora não estejamos familiarizados com o lado oposto ao eu (não-eu), tentemos pensar que espécie de vida poderia ser a do não-eu. Não-eu não significa desaparecer do planeta ou deixar de existir. Não é nem estar autocentrado, tampouco centrado no outro; apenas, é estar centrado. A vida do não-eu não está centrada em coisa alguma em particular, mas em todas as coisas; ou seja, está desapegada e, por isso, as características de um eu não podem aparecer. Não somos ansiosos, ou preocupados, não nos irritamos com facilidade, não nos aborrecemos a todo instante, e, principalmente, nossa vida não tem o sabor característico da confusão. Por isso, ser o não-eu é alegria. Não apenas isso. O não-eu, por não se opor a nada, é benéfico a tudo. 
     
Para a absoluta maioria, porém, a prática precisa acontecer dentro de uma estratégia organizada, numa dissolução implacável do eu. O primeiro passo que devemos dar é nos mudar da infelicidade para a felicidade. Por quê? Porque não há de modo algum meio pelo qual a pessoa infeliz -perturbada consigo ou com os outros, ou com as situações -possa ser a vida do não-eu. Assim, o primeiro estágio da prática deveria ser o nosso deslocamento da infelicidade para a felicidade, e os primeiros anos de zazen são principalmente dedicados a esse movimento. Para algumas pessoas, uma terapia inteligente pode ser proveitosa nessa etapa. Entretanto, as pessoas são muito diferentes entre si e não podemos generalizar. No entanto, não podemos (ou não devemos) tentar saltar este primeiro movimento de uma relativa infelicidade para uma relativa felicidade. 
     
Por que digo "relativa" felicidade? Independente do quanto podemos sentir que nossa vida é "feliz", se ela estiver baseada num eu, não podemos ter uma resolução final. Por que não pode haver uma resolução final para uma vida que se baseia num eu? Porque tal vida está fundamentada numa premissa falsa, a de que somos um eu. Sem exceção, todos nós acreditamos nisso. Toda prática que interrompa a adaptação provisória do eu é, em última análise, insatisfatória. 
    
Compreender a própria natureza como não-eu –um Buda -é fruto do zazen e do caminho da prática. A coisa importante (já que essa é a única realmente satisfatória) é seguir esse caminho. Enquanto nos debatemos com a questão de nossa verdadeira natureza -eu ou não-eu- a base toda de nossa vida precisa mudar. Para travar de modo adequado essa batalha, todo sentimento, todo propósito, toda orientação da vida devem ser transformados. Quais poderiam ser os passos dessa prática? 
     
O primeiro, como já mencionei, é a saída da relativa infelicidade para a relativa felicidade. Na melhor das hipóteses, é um feito instável, que facilmente se perde. Mas devemos ter um certo nível de felicidade relativa e de estabilidade para nos envolvermos com uma prática séria. Então, podemos estar em condições de tentar o estágio seguinte: filtrar com inteligência e persistência as várias características da mente e do corpo através do zazen. Começamos a notar nossos padrões; começamos a observar nossos desejos; nossas necessidades; nossos impulsos egóicos; e começamos a perceber que esses padrões, esses desejos, esses vícios são o que chamamos de eu. Conforme nossa prática continua, começamos a entender o vazio e a impermanência desses padrões e acreditamos que podemos abandoná-los. Não precisamos tentar abandoná-los; eles apenas se dissolvem lentamente com o tempo, pois, quando a luz da conscientização incide no que quer que seja, diminui o falso e aumenta o verdadeiro; e nada incandesce mais essa luz do que um zazen inteligente, realizado todos os dias e nos sesshins. Com o desaparecimento de alguns desses padrões, o não-eu -que está sempre presente -pode começar a manifestar-se e com ele aumentam a paz e a alegria ao mesmo tempo. 
     
Esse processo, embora fácil de ser mencionado, é às vezes assustador, desanimador, desencorajador; tudo aquilo que pensávamos era nós mesmos durante tantos anos, e está sob ataques. Podemos sentir um medo imenso, enquanto essa transição está acontecendo. Pode parecer encantadora enquanto falamos sobre ela, mas, ao pô-la em prática pode ser horrível.
      
No entanto, para quem tiver paciência e determinação em sua prática, a alegria aumenta; a paz aumenta; aumenta a capacidade de viver de modo benéfico e compadecido. E a vida, que talvez sofra com os caprichos das circunstâncias externas, sutilmente se altera. Essa vida que se transforma devagar não é, contudo, isenta de problemas. Eles estarão presentes. Durante um certo período nossa vida pode ficar pior do que antes, à medida que pomos a nu o que antes mantivera-se encoberto. Mas, mesmo quando isso acontece, temos uma sensação de crescente saúde interior e compreensão, uma sensação de satisfação básica.
     
Para manter a prática através de dificuldades graves, devemos ter paciência, persistência e coragem. Por quê? Por causa de nosso costumeiro modo de viver em busca de felicidade, esforçando-nos para satisfazer desejos, e lutando para evitar dores mentais e físicas; a prática determinada é sempre solapada. Aprendemos na boca do estômago e não só com nosso cérebro que uma vida de alegria não está na busca da felicidade e, sim, no experimentar e simplesmente ser as circunstâncias de nossa vida, tais como são; não em satisfazer desejos pessoais, mas em satisfazer as necessidades da vida; não em evitar a dor, mas em sê-la quando necessário. É tarefa grande demais? Difícil demais? Pelo contrário, é o caminho mais fácil.
    
Uma vez que só podemos viver nossa vida através de nossa mente e corpo, não há quem não seja um ser psicológico. Temos pensamentos, esperanças, podemos ser feridos ou ficar aborrecidos. Porém, a solução real deve vir de uma dimensão que seja radicalmente diferente da dimensão psicológica. A prática do desapego, o crescimento do não-eu, é a chave do entendimento. Por fim, compreendemos que não há caminho, não há meio, não há solução; porque, desde o começo, nossa natureza é o caminho, o meio, bem aqui e agora. Porque não há caminho, nossa prática é seguir infindavelmente esse não-caminho, sem se importar com nenhuma recompensa.
    
Porque o não-eu é tudo, não necessita de recompensa; desde o não-início é em si mesmo a realização completa.

Charlotte Joko Beck - Sempre Zen

Imagem: Charlotte (http://sweepingzen.com/)

27 de setembro de 2012

Roshi Mumon Yamada


“Quanto mais você tenta conhecer os princípios do zen lendo livros, mais se distancia da natureza da iluminação. Entretanto, se tentar alcançar o conhecimento sentando-se, sem especulação, a iluminação começará a brilhar por si mesma, e você compreenderá o verdadeiro Eu Inteiro, o que estava procurando.”

Roshi Mumon Yamada

Imagem: http://onedropzen.org/

25 de setembro de 2012

Meditação em um instante - One moment meditation


Compartilho este video para pessoas que se interessam por meditação mas não tem muito tempo.

Um bom exemplo de meditação para iniciantes e para pessoas muito ocupadas.

Por que palavras?


Um monge aproximou-se de seu mestre — que se encontrava em meditação no pátio do templo à luz da Lua — com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.


(Enviado por Tam Hao Van )

24 de setembro de 2012

O Rei da Mente


Hsin-wang-ming por Fu-yu (497-569)

Contemple a mente; este rei da vacuidade
É sutil e intruso.
Sem nome ou forma,
Ele tem grande poder espiritual.

Pode eliminar todas as calamidades

E realizar todos os méritos.
Apesar de sua essência ser vazia,
Ele é a medida dos fenômenos.

Quando você olha, é sem forma;

Quando você o chama, ele ecoa.
É o grande comandante do Dharma
Transmitindo os sutras através dos preceitos da mente.

Assim como o salgado na água do oceano, de cor transparente, 

Certamente está lá, mas sua forma é invisível,
O rei da mente também é assim,
Residindo no corpo.

Ele entra e sai diante dos seus olhos,

Respondendo aos fenômenos, seguindo as emoções.
Quando está despreocupado, sem obstrução,
Todos os esforços têm sucesso.

Quando você realiza a mente original,

A mente vê o Buddha.
Esta mente é o Buddha;
Este Buddha é a mente.

Todo pensamento é a mente de Buddha;

A mente de Buddha permanece no Buddha.
Se você deseja realizar isto em breve,
Esteja vigilante e disciplinado.

Os preceitos puros purificam a mente;

A mente então é Buddha.
Separado deste rei da mente,
Não há outro Buddha.

Se você deseja procurar o estado búddhico,

Não macule coisa alguma.
Apesar de a natureza da mente ser vazia,
A cobiça e o ódio são reais.

Quando você entra por esta porta do Dharma,

Sentando-se ereto, você se torna o Buddha.
Ao alcançar a outra margem,
Você atinge a perfeição.

Os verdadeiros aspirantes ao caminho

Contemplam a sua própria mente.
Sabendo que o Buddha está no interior,
Não há necessidade de procurar no exterior.

Bem agora a mente é o Buddha;

Bem agora o Buddha é a mente.
A mente brilhante conhece o Buddha;
O iluminado conhece a mente.

Separado da mente, não há Buddha;

Separado do Buddha, não há mente.
Aqueles que não são Buddhas não podem penetrar;
Não estão preparados para a tarefa.

Agarrar a vacuidade e bloquear a tranqüilidade

Resulta em flutuar e afundar.
Nem buddhas nem bodhisattvas
Estabelecem suas mentes deste modo.

O grande ser da mente brilhante

Despertou para este som sutil.
A natureza do corpo e da mente é maravilhosa;
Suas funções não precisam ser alteradas.

Assim, o sábio derruba a mente e a deixa ser.

Não diga que o rei da mente é vazio e sem essência;
Ele pode fazer o corpo
Fazer o mal e o bem.

Não existe, nem é não-existente.

Aparece e desaparece imprevisivelmente.
Quando a natureza da mente parte da vacuidade,
Ela pode ser sagrada ou profana.

Assim, imploramos uns aos outros

Que a guardem com cuidado.
No momento de se moldar,
Ele se reverte ao flutuar e afundar.

A sabedoria da mente pura

É tão preciosa quanto o ouro.
O tesouro de sabedoria do Dharma
Está dentro do corpo e da mente.

O tesouro do Dharma da não-ação não é superficial nem profundo.

Todos os buddhas e bodhisattvas realizaram este mente original.
Para aqueles cujas condições estão corretas,
Ela não é passado, presente ou futuro.

Verso da iluminação


A mão vazia segura a enxada.

Os pés andando, cavalgando o búfalo d'água.
O homem anda sobre a ponte,
A ponte flui, a água não flui.

Adaptado de Sheng-yen, The poetry of enlightenment: Poems by ancient

Ch'an masters. Elmhurst: Dharma Drum Publications, 1987. Pág. 15, 17-20.
Imagem: Shambhala Publications (http://www.shambhala.com/)

21 de setembro de 2012

Momento presente, momento maravilhoso




Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.

Há uma infinidade de exercícios que podem nos ajudar a respirar conscientemente. Além do simples "Inspirando-Expirando", podemos recitar em silêncio estas quatro linhas enquanto inspiramos e expiramos:

Inspirando, acalmo meu corpo.
Expirando, sorrio.
Pousado no momento presente, sei que este é um momento maravilhoso.

"Inspirando, acalmo meu corpo." Recitar essa frase é como beber um copo de limonada gelada num dia de calor (dá para se sentir o frescor invadindo o corpo). Quando eu inspiro e digo esse verso, chego a sentir minha respiração acalmando meu corpo e minha mente."Expirando, sorrio." Você sabe que um sorriso pode relaxar centenas de músculos no seu rosto. Sorrir é um sinal de que se tem domínio sobre si mesmo.

"Pousado no momento presente." Enquanto estou sentado aqui, não penso em mais nada. Estou sentado aqui e sei exatamente onde estou.

"Sei que este é um momento maravilhoso." É uma alegria estar sentado, em conforto e segurança, e voltar para a respiração, para o sorriso, para a verdadeira natureza do eu. Nosso compromisso com a vida é no momento presente. Se não tivermos paz e alegria agora, quando as teremos? Amanhã, depois de amanhã? O que nos impede de sermos felizes neste exato momento? Enquanto prosseguimos com nossa respiração, podemos dizer simplesmente, "Acalmo, Sorrio, Momento presente, Momento maravilhoso."

Esse exercício não é só para os iniciantes. Muitos de nós que praticamos a meditação e a respiração consciente há quarenta ou cinquenta anos continuamos a praticar dessa forma, porque esse tipo de exercício é muito importante e muito fácil.

Thich Nhat Hanh
Imagem: 
Metta Refuge (http://mettarefuge.wordpress.com/)

19 de setembro de 2012

Receita Zen para o Dia a Dia



Em verdade, em verdade vos digo, a menos que um grão de trigo caia na terra e morra, ele permanece sozinho; mas, se morrer, trará muitos frutos.


A Bíblia diz: "A menos que você morra, não poderá renascer para a vida." A prática budista consiste em ir morrendo devagar, passo a passo, deixando de nos identificar com as nossas fixações. Se nos mantemos fixados ao que quer que seja é porque ainda não morremos. Assim, quando deixamos de nos fixar, agrilhoar, a nossos parceiros não quer dizer que não os amamos porque na medida que desenvolvemos a prática, reduzimos as compulsões. Nosso amor cresce e a compulsão diminui porque não é possível amar o objeto de nossa compulsão.

Se precisarmos de aplausos, é porque ainda não morremos.
Se precisarmos de poder, é porque ainda não morremos.
Se precisarmos de destaque, é porque ainda não morremos
Se não pudermos trabalhar com humildade, é porque ainda não morremos.
Se precisarmos projetar uma certa imagem, é porque ainda não morremos.
Se precisarmos que tudo venha de encontro aos nossos desejos, é porque ainda não morremos. 

Eu não morri de nenhuma destas formas. Sinto ainda os grilhões que me prendem e não coloco grande empenho em me libertar deles; ao morrermos eles deixarão de existir. Neste sentido, um iluminado não é humano, e não conheço ninguém assim. Ao longo da vida conheci pessoas extraordinárias, mas jamais ninguém assim. Então, vamos nos contentar em ser quem somos, praticando com empenho, porque já é ótimo! Na medida em que nos libertamos de nossos grilhões podemos, cada vez mais, abarcar a vida tal como ela se manifesta. Este é o voto do bodhisattva. Assim, na medida em que a nossa prática amadurece — e somente neste medida — podemos servir melhor, agir melhor, integrando as polaridades, é disto que consta a prática do Zen. Meditar, como meditamos, é o caminho, então vamos meditar com todo empenho. Só posso ser quem sou hoje, estar presente aqui e agora e agir à luz desta experiência. É tudo o que posso fazer. O demais é pura fantasia fabricada pelo ego.


Texto de Charlotte Joko Beck 
Tradução para o português de Tenzin Nandrol
Imagem: Non-Duality Magazine (http://www.nondualitymagazine.org)

18 de março de 2012

Pratique o Zazen




Usualmente, sem que tenhamos consciência disso, tentamos mudar as coisas em vez de mudar a nós mesmos; tentamos arrumar as coisas que estão fora de nós. Mas é impossível ordenar as coisas se você mesmo não está em ordem. Quando você faz as coisas de forma certa, no momento oportuno, tudo o mais se organiza. Você é o chefe. Quando o chefe está dormindo, todos dormem. Quando ele faz algo bem feito, todos os demais o fazem igualmente bem e no tempo certo. Este é o segredo do buddhismo. Portanto, procure manter a postura correta, não apenas quando pratica zazen mas em todas as suas atividades. Adote a postura certa quando estiver dirigindo um carro ou quando estiver lendo. Se você lê numa posição displicente, não pode ficar lúcido por muito tempo. Experimente. Você descobrirá como é importante manter a postura correta. Este é o ensinamento verdadeiro. Ensinamentos escritos no papel não são verdadeiros ensinamentos, são alimento para o cérebro. Claro que é preciso alimentar o cérebro; porém, o mais importante é ser você mesmo praticando a forma correta de viver.

Eis por que o Buddha não pôde aceitar as religiões que existiam na sua época. Ele estudou várias religiões mas não ficou satisfeito com suas práticas. Não encontrou respostas no ascetismo ou nas filosofias. Ele não estava interessado nos aspectos metafísicos da existência, e sim em seu próprio corpo e sua própria mente no aqui e agora. E quando encontrou a si mesmo, descobriu que tudo quanto existe tem natureza búddhica. Essa foi sua iluminação. Iluminação não é uma sensação agradável ou algum estado particular da mente. O estado da mente que existe quando você se senta em postura correta é, por si só, iluminação. Se você não está satisfeito com o estado da mente que tem no zazen, significa que sua mente está divagando por aí afora.

E nosso corpo e nossa mente não devem oscilar nem vaguear. Nessa postura, não há por que falar em estado correto da mente. Você já o possui. Esta é a conclusão do buddhismo.

Shunryu Suzuki - Mente de Principiante.

Bodhidharma (Daruma) e o Zen



Bodhidharma ensinava que a iluminação não se encontra em livros ou rituais, mas no interior de nós mesmos. E através da meditação limpamos os véus do obscurecimento e recordamos a nossa natureza de Buda. 

Bodhidharma definiu o Zen como uma transmissão especial para além das escrituras, que não depende de palavras ou letras, mas aponta directamente para a mente, vendo a nossa verdadeira natureza e alcançando a Iluminação("A special transmission beyond Scriptures, Not depending on words or letters, But pointing directly to the Mind, Seeing into one's true Nature, And realizing one's own Enlightenment").

Esta mente é por ele descrita como, desde tempos sem começo, nunca ter mudado. "Nunca viveu ou morreu, apareceu ou desapareceu, cresceu ou diminuiu. Não é pura nem impura, boa ou má, passado ou futuro. Não é verdadeira nem falsa. Não é macho ou fêmea. Não surge como um monge ou um laico, um ancião ou um noviço, um sábio ou um louco, um buda ou um mortal. Não procura a realização e não experimenta o karma. Não tem solidez ou forma. É como o espaço. Não o possuis e não o perdes. Os seus movimentos não podem ser bloqueados por montanhas, rios ou rochas. Nenhum karma pode restringir este corpo real. Mas esta mente é subtil e difícil de ver. Não é o mesmo que a mente dos sentidos. Todos querem ver esta mente e os que movem os pés e as mãos à sua luz são tão numerosos como as areias do Ganges, mas quando lhes perguntas, não conseguem explicá-la. Pertence-lhes e usam-na. Mas porque não a podem ver?... Só os sábios conhecem esta mente, esta mente chamada natureza do dharma, esta mente chamada libertação. Nem a vida nem a morte a pode libertar. Nada pode. Também se chama o Imparável Tathagata, o Incompreensível, o Eu Sagrado, o Imortal, o Grande Sábio. O nome varia mas não a essência." 

Fonte: dados biográficos recolhidos de Denkoroku, The Record of the Transmission of Light, de autoria do Mestre Zen Keizan Jokin. Citações traduzidas livremente de The Zen Teaching of Bodhidharma. Para mais reproduções de Daruma, ver www.shambhala.com/zenart.

22 de setembro de 2011

O Monge e o Macaco






Excelente curta de animação criado por dois alunos da instituição, Brendan Carroll e Fancesco Giroldini. 

O monge e o macaco conta a história do jovem e determinado Ragu que é enviado por seu mestre para cumprir uma última tarefa antes de se tornar um monge. No entanto, o que parecia relativamente simples e fácil se converte em um verdadeiro desafio.

Dar e Receber


Um professor de Zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:


"Estou ficando velho, em breve morrerei. Para simbolizar sua sucessão a mim como mestre vou lhe dar este livro valiosíssimo."

O discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:

"Não é necessário, obrigado, mestre. Eu aceitei o seu ensinamento como o Zen que prescinde a palavra escrita. Gosto de sua face original. Fique com seu precioso livro."

O professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:

"Este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! Por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!"

O outro apenas disse:

"Está bem, dê-me o livro."

Ao recebê-lo, o discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. O professor ficou chocado. Gritou para o aluno, indignado:

"Como pôde fazer isso?! Era uma peça inestimável de conhecimento!"

Foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:

"Como podes dar mais valor a papel e couro do que àquilo que me ensinastes diretamente, de forma pura?
Ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. Tu me deste um objeto, e eu usufrui dele como considerei adequado. Como podes ficar indignado com um simples 'dar e receber'?"

Koan: O que é "possuir"?

14 de setembro de 2011

O mestre Zen e o terremoto

Enso - Caligrafia de Kanjuro Shibata XX, ca. 2000

Aconteceu que um mestre Zen foi chamado como convidado. Alguns amigos haviam se reunido e estavam comendo e conversando quando, de repente, houve um terremoto. O prédio em que eles estavam era um prédio de sete andares, e eles estavam no sétimo andar, então a vida estava em perigo.

Todo mundo tentou escapar. O anfitrião, correndo, olhou para ver o que tinha acontecido com o mestre. Ele estava ali sem sequer uma ruga de preocupação no rosto. Com os olhos fechados, ele estava sentado em sua cadeira da mesma maneira que estava sentado antes.

O anfitrião sentiu-se um pouco culpado, sentiu-se um pouco covarde; não fica bem que o hóspede fique sentado e o anfitrião fuja. Os outros, os outros vinte hóspedes, já tinham descido as escadas, mas ele parou, embora estivesse tremendo de medo, e se sentou ao lado do mestre.

O terremoto chegou e passou, o mestre abriu os olhos e retomou a palestra que, por causa do terremoto, havia interrompido. Ele continuou novamente, exatamente na mesma frase - como se o terremoto não tivesse acontecido.

O anfitrião estava agora sem vontade de ouvir, não estava com disposição de entender porque todo o seu ser estava muito perturbado e ele estava com muito medo. Mesmo que o terremoto já tivesse ido embora, o medo ainda estava lá.

Ele disse: "Agora não diga nada, porque não serei capaz de compreender, não sou mais o mesmo. O terremoto me perturbou muito. Mas há uma pergunta que eu gostaria de fazer. Todos os outros hóspedes haviam escapado, eu também estava na escada, já quase correndo, quando de repente me lembrei de você. Vendo você aqui sentado com os olhos fechados, sentado tão tranquilo, tão imperturbável, me senti um pouco covarde - sou o anfitrião, eu não deveria correr. Então voltei e estou aqui sentado ao seu lado. Gostaria de fazer uma pergunta. Nós todos tentamos fugir. O que aconteceu a você? O que você me diz sobre o terremoto?"

O mestre disse: "Eu também fugi, mas você fugiu para fora, eu fugi para dentro. Sua fuga é inútil porque para onde quer que você esteja indo lá também há um terremoto, então é sem sentido, não faz sentido. Você pode alcançar o sexto andar ou quinto ou o quarto, mas lá também há um terremoto. Eu fugi para um ponto dentro de mim onde nenhum terremoto jamais chega, não pode chegar. Entrei em meu centro.

No Zen eles têm um ditado que diz que um mestre Zen que tenha alcançado o seu centro interior pode passar por um riacho, mas a água nunca toca seus pés . Isso é belo. Não quer dizer que a água nunca toca seus pés - a água vai tocá-los -, refere-se a algo sobre o mundo interior, o profundo interior. Nada o toca, tudo permanece fora, na periferia, e o centro permanece intocado, puro, inocente, virgem. 

Fonte: Osho, em "Living Tao"